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sexta-feira, 27 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Rock in Rio – Um festival Sustentável
Rock
in Rio – Um festival Sustentável
Contanto
com mais de 20 anos de história, e com 10 edições, o Rock in Rio assume-se como
o maior evento de música e entretenimento do Mundo. Ao longo desses anos muitas
vontades e ambições mudaram, e desde 2006 que assumiu uma postura de
preocupação ambiental, pretendendo criar um evento sustentável e desse modo
existisse uma compensação ambiental pelos danos causados. Para além de assumir
essa atitude, houve um igual investimento em formação e em motivação, de que
serão exemplos o “PRÉMIO ROCK IN RIO ATITUDE SUSTENTAVEL” e a parceria estabelecida com
o Green
Project Awards (GPA).
Para além de todas as preocupações
com as emissões, quer de gazes quer de ruido, parece que também terá uma grande
importância a questão dos resíduos (quer com a redução, quer com o tratamento).
Com este tópico, não pretendo
avaliar as grandes vantagens desta preocupação e deste investimento pois essas
parecem-me obvias, o que eu verdadeiramente pretendo com este tópico é, por um
lado, dar a conhecer aos colegas o projecto de sustentabilidade deste evento e
por outro lado, reiterar o meu apoio a estas medidas ambientais, que para além
de um grande impacto ao nível do marketing, também terão uma grande relevância naquilo
que hoje é mais difícil, a “consciência ecológica”
“PLANO DE
SUSTENTABILIDADE
Com o mote Por um Mundo Melhor (desde
2001), o Rock in Rio voluntariamente sempre procurou o pioneirismo no seu
modelo de negócios, visando uma actuação ambiental e socialmente responsável.
Aliado ao facto de ser um evento internacional, com edições em 3 países, dois
dos quais países europeus, ao longo do caminho a organização decidiu
voluntariamente aplicar boas práticas ambientais e sociais definidas pela
regulamentação europeia.
COMPENSAÇÃO: CARBONO ZERO
Em 2006, o Rock in Rio assumiu o
compromisso de não ser apenas o maior festival do mundo, mas ser também o
mais ambientalmente responsável. Como? Compensando as emissões de gases
de efeito estufa geradas pelo festival, alcançando o índice de Carbono Zero.
Este compromisso mantém-se até hoje, em todas as edições do evento nos três
países em que ocorre.
O índice Carbono Zero é alcançado quando
a quantidade de dióxido de Carbono (CO2) emitida é igual à quantidade absorvida
pela natureza através das plantas, que usam CO2 para realizar a fotossíntese.
Na conta do Rock in Rio, auditada pela
consultora Deloitte, entram desde emissões geradas pela deslocação de bandas,
público e mercadorias e a energia gasta na produção até o consumo e a geração
de resíduos durante o festival.
Desde 2006, mais de 40 mil árvores
foram plantadas para compensar as emissões geradas pelo Rock in Rio. Além
disso, o Rock in Rio já participou em projectos de melhoria de condições
ambientais de indústrias no Brasil. Numa acção de sensibilização o Rock in Rio
desde 2010 que entrega certificados Carbono Zero aos artistas.
REDUÇÃO DE EMISSÕES
Mas se compensar é importante, reduzir
as emissões é fundamental. Por isso, em 2008 o Rock in Rio passou a adoptar o Manual
de Boas Práticas, uma guia com 18 medidas a serem adoptadas por todos os
envolvidos na realização do festival para reduzir o impacto ambiental do
Rock in Rio e ter de compensar apenas as emissões inevitáveis.
Com isso, o festival conseguiu reduzir em mais de 21% a quantidade de dióxido de carbono emitido na realização do Rock in Rio-Lisboa 2010 em relação à edição de 2008: foram 3.845 toneladas de CO2 em 2010, frente a 4.686 toneladas dois anos antes. Nas próximas edições, o objectivo é reduzir ainda mais.
Com isso, o festival conseguiu reduzir em mais de 21% a quantidade de dióxido de carbono emitido na realização do Rock in Rio-Lisboa 2010 em relação à edição de 2008: foram 3.845 toneladas de CO2 em 2010, frente a 4.686 toneladas dois anos antes. Nas próximas edições, o objectivo é reduzir ainda mais.
Uma das medidas que mais contribui para
a redução da emissão de CO2 é o uso de transporte colectivo pelo público
para ir ao evento e voltar para casa: calcula-se que mais de metade das
emissões ocorram nesta deslocação. Por isso, o Rock in Rio lançou a campanha
"EU VOU de transportes públicos" e elaborou um esquema especial de
transporte para encorajar o público a deixar o carro em casa na sua ida e volta
ao festival, a cada edição do mesmo.
Desde 2008 o Rock in Rio é também um
evento 100R, um selo da Sociedade Ponto Verde que certifica o correto encaminhamento
para reciclagem dos resíduos produzidos pelo evento em todas as suas fases,
montagem, evento e desmontagem. Em relação aos resíduos na fase de desmontagem,
numa óptica de optimização dos materiais, no final do evento é feita uma
análise do que pode ser reaproveitado para outras edições, de seguida
permite-se a outros eventos e instituições que venham recolher o que a
organização não conseguiu reutilizar e só depois estes resíduos são reencaminhados
para reciclagem.
ENVOLVIMENTO DOS PARCEIROS
O Rock in Rio procura também envolver
todos seus stakeholders, a quem chama de parceiros, na adopção de iniciativas
sustentáveis. Para isso, desde 2008 o evento promove um concurso de boas
práticas, que destaca as organizações, fornecedores, lojas e stands
presentes na Cidade do Rock, que mais contribuem para o ambiente e para a
pretendida redução na emissão de gases com efeito de estufa derivados do
evento.
Em todas as edições lança acções de sensibilização de cariz social e ambiental para o público do evento e para toda a comunidade nacional nos países onde ocorre, sendo toda a verba arrecadada aplicada ao nível nacional.
Em todas as edições lança acções de sensibilização de cariz social e ambiental para o público do evento e para toda a comunidade nacional nos países onde ocorre, sendo toda a verba arrecadada aplicada ao nível nacional.
Em Lisboa, envolve os moradores nas suas
acções e promove a empregabilidade através duma bolsa de emprego para os locais
que se inscrevem directamente na Cidade do Rock para diversas funções a
desempenhar durante o período de montagem, evento e desmontagem, a organização
entende que os mesmos devem ser envolvidos na festa do Rock in Rio e doa aos
moradores cerca de 2.000 bilhetes para assistirem ao evento. Para além
dos locais o Rock in Rio cria durante os dias de evento cerca de 3.000 empregos
directos em cada edição.
Não esquecendo a sua equipa, todos os
anos se realizam acções de cariz social e/ou ambiental, sendo as últimas a
participação no Limpar Portugal em 2010 e doação de 10 toneladas de alimentos
às vítimas das cheias no Rio de Janeiro. Para além dum concurso interno
para apuramento do colaborador com atitude mais sustentável no seu dia-a-dia,
com o intuito de divulgar as boas práticas. A equipa tem ainda condições de
conciliação da sua vida familiar com profissional através da possibilidade de
trabalho a partir de casa sempre que necessário e possível, assim como de
flexibilidade de horários.
COMPROMISSOS PARA 2012
COMPROMISSOS PARA 2012
Para 2012 a organização definiu 3 objectivos
principais, para além dos compromissos assumidos, que são de aumentar a taxa
de reutilização e de reciclagem dos resíduos produzidos; de trabalhar em maior
proximidade com os nossos parceiros na adopção de melhores práticas e de
diminuir a pegada carbónica da deslocação do público através da criação dum
projecto de mobilidade integrado.
Com estas acções, o Rock in Rio quer
reafirmar o seu compromisso com a sustentabilidade e convidá-lo a si, fã do
evento, a repensar as suas atitudes do quotidiano para torná-las cada vez mais
sustentáveis e em sintonia com um desenvolvimento equilibrado. Afinal, este é o
primeiro passo para unir as nossas forças e atitudes Por um Mundo Melhor.”
Para além disto, sugiro a consulta do site www.rockinriolisboa.sapo.pt,
que no separador relativo ao projecto social nos apresenta a versão integral
desse plano de sustentabilidade.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A Poluição Visual
A
Poluição Visual
A questão da poluição visual tem actualmente
uma grande relevância apresentando-se como a grande novidade ao nível da “teia
de poluições” – poluição atmosférica, dos solos, das águas entre outras
hipóteses que todos conhecemos. No entanto parece-me ser uma questão ainda
muito pouco desenvolvida, o que me impossibilitará de proceder com um grande
detalhe técnico.
Esta novidade prende-se muito com a complexidade e
minúcia que caracteriza o Direito do Ambiente, e tem que ver com uma lógica
estético-urbanística. Caracterizamos esta realidade como um sentimento, uma
emoção visual ou uma representação pessoal do que seja ou não “belo” – quer
estejamos a falar de um belo artístico ou belo natural – no entanto, não me
parece compreensível que o âmbito da protecção ambiental se limite a tutelar o
que seja subjectivamente bonito.
Deste modo deveremos considerar como poluição ambiental
todo o efeito danoso, que sendo causado por actividades humanas, cause
problemas ao nível da saúde, do bem-estar social, das condições sanitárias e
das condições estéticas, entre outro. Por outro lado, levantará muitos
problemas ao nível de uma incoerência, entre as fachadas das edificações, e a
desarmonia urbanística, o que para alguns autores acabará por representar, em
certo sentido, uma perda de cidadania pelo
individuo, pois este deixaria de ter uma postura activa na dinâmica da cidade,
passando a ser um mero espectador e consumidor, influenciado pela efemeridade
dos fenómenos de massas.
Esta realidade terá muito que ver com a “nossa” sociedade
capitalista onde o consumo é estimulado apoiando-se numa proliferação da
propaganda nas paisagens urbanas (característica da cultura de massas
pós-moderna).
Uma noção que também importará é a de paisagem, como “unidade geográfica, ecológica e estética
resultante da acção do homem e da reacção da Natureza, sendo primitiva quando a
acção daquele é mínima e natural quando a acção humana é determinante, sem
deixar de se verificar o equilíbrio biológico, a estabilidade física e a
dinâmica ecológica”, que nos é assim definida na alínea c) do nº. 2 do art. 5
da LBA (Lei n.º 11/87 de 7 de Abril). Desse modo parece se de concluir que
incluiremos na paisagem o espaço aéreo, o espaço natural e ainda todos os
elementos humanos que integrem o espaço natural – é neste âmbito que acabamos
por incluir tanto as habitações, como as infra-estruturas, e ainda toda a
lógica da sinalização e da publicidade
Esta poluição Visual, apesar de não ser uma forma
clássica, também nos causa prejuízos, que podem assumir-se como físicos ou como
psíquicos. Ao nível dos prejuízos físicos, o melhor exemplo que temos será o
caso do Motorista, onde haverá uma repartição da sua atenção entre o trânsito,
o rádio, as publicidades e outras realidades que interfiram na sua condução. Por outro lado, muito se especula sobre os efeitos
psicológicos da poluição visual, como o stress ou
o desconforto visual, na medida em que se entende que o ambiente urbano
constitui um factor de tranquilidade e felicidade.
Esta matéria é actualmente
muito estudada por arquitectos, paisagistas, designers, engenheiros e publicitários, pois a questão visual
obriga a muitos cuidados e limitações: desde logo porque quando um
automobilista assume velocidades elevadas a sua capacidade de reacção e de
percepção fica drasticamente reduzida pelo que as publicidades e sinalizações
terão que assumir maiores dimensões, mas também maiores preocupações estéticas
de forma a não causar prejuízos físicos para as partes; para além disso como
sabemos a paisagem, “as vistas”, assumem hoje uma grande importância ao nível
do destaque e do preço do edificado, pelo que devem haver um maior cuidado
preservando esse “Direito às vistas”; Por fim um outro aspecto que gostaria de
realçar, prende-se com os parques ajardinados, e com o direito ao descanso e ao
lazer, o que tenderia a ser colocado em causa se, por exemplo, no meio do
parque da cidade fossem colocadas em grande quantidades propagandas de um dado
partido politico – este caso parece-me claro que estaríamos a colocar em causa
o direito de uma pessoa desfrutar de uma situação de descanso e de bem-estar.
Como forma
de combater este abuso humano, parece que procedemos a
limitações administrativas, como por exemplo a proibição de certas publicidades
em prédios que são virados para zonas onde pode provocar a distracção do
automobilista. No entanto, e integrando a poluição ambiental na lógica do “desenvolvimento social e cultural das
comunidades (…) melhoria qualidade de vida”, art. 4 LBA, acabaremos por
admitir que deveria existir uma política mais activa, por um lado, e mais
punitiva para aqueles que infrinjam, colocando em causa a coerência
estético-urbanística.
Em suma, a questão da poluição visual é uma questão
recente e que actualmente muito se discute, o que poderá justificar a fraca
protecção e controlo que actualmente existe. Teremos de incentivar uma maior
tutela deste aspecto, o que na minha opinião e articulando com outra matéria muito
importante, poderia ser resolvido através de uma mais elevada e rígida
tributação – essa tributação assumiria desse modo uma função próxima da
extrafiscalidade o que levaria a uma alteração comportamental, assumindo-se
mais ecológica e ambientalmente ponderada.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Madrid Ecocity 2012 - Competição urbana de veículos movidos a energias alternativas
Madrid Ecocity 2012 - Competição urbana de veículos movidos a energias alternativas
"Durante o fim-de-semana de 14 e 15 de Abril,
a capital espanhola vai receber o Madrid Ecocity, um evento organizado pela
Last Lap em Espanha com o objectivo de promover a mobilidade sustentável e dar
a conhecer ao público em geral de que forma fazem parte da nossa sociedade as
energias renováveis.
Os
visitantes deste evento que terá lugar na zona de Principe Pío - Madrid Rio -
vão ter a oportunidade de conhecer em primeira mão novos meios de transporte
sustentável. No local vão encontrar uma zona de experimentação onde será
instalado um parque de boxes com carros eléctricos e híbridos, motas e quads eléctricos,
citybikes e bicicletas eléctricas, skates e patins elétricos e protótipos
solares. Os presentes poderão experimentar qualquer um destes veículos num
circuito de experimentação integrado neste espaço.”
“O
grande centro das atenções será a primeira competição urbana na europa de veículos movidos por energias
alternativas, desenvolvidos por institutos e universidades
depois de vários anos de investigação e experimentação. As 21 equipas
participantes, entre as quais se encontram quatro equipas portuguesas
provenientes de várias zonas do país (Viseu, Barcelos, Guarda, e Beira
Interior), serão distribuídas em duas categorias: Protótipos (15) e Urban
Concepts (6). Dentro destas duas categorias os veículos vão poder funcionar
recorrendo a diferentes fontes de energia (Diesel, gasolina 95, Etanol 95,
Bateria de combustível – Hidrogénio, Veículos elétricos (Plug-in) e energia
solar).
Para além do espaço de experimentação
estará disponível uma zona de exposição interactiva na qual os visitantes
poderão aproveitar para enriquecer os seus conhecimentos sobre os recursos
naturais como fonte de energia alternativa, novas tecnologias, novidades de
design e redução do impacto no meio ambiente
Conferência "Madrid
Ecocity. A mobilidade sustentável"
Por outro lado, no dia
12 de Abril, vai decorrer a conferência de debate e mesa redonda "Madrid Ecocity. A
mobilidade sustentável" na
qual estarão presentes vários presidentes das câmaras de várias cidades
espanholas. A presidente da câmara de Madrid, Ana Botella, vai fazer a abertura
da conferência no Palacete dos Duques de Pastrana, em Madrid. Este encontro tem
como objectivo fomentar o debate sobre as "ecocidades". Alguns dos
representantes mais influentes do panorama empresarial espanhol darão a sua
visão sobre os novos objectivos, desafios, inovação, etc.”
Noticia retirada do site, http://www.lastlap.pt/pt/comunicacao/noticias/madrid-ecocity-aproxima-populacao-das-energias-renovaveis
Mais
informações no site http://www.madridecocity.es/
A grande questão que está aqui
em causa, na minha opinião, é uma tomada de consciência ao nível ambiental,
apostando-se desse modo em inovar e em criar novos projectos que a longo prazo
poderão representar uma verdadeira melhoria nas condições ambientais. As
competições automobilísticas têm tido um importante papel nesta questão
ambiental a prova disso é que por um
lado, estas competições onde o resultado não será o mais importante, são grande
marcas de marketing e alvo de uma grande cobertura mediática, o que acabará por
se traduzir nessa tomada de consciência. Por outro lado, parece que partirão daqui
as grandes inovações que serão a curto prazo incorporadas nas viaturas que chegam
aos stands comerciais.
Na minha opinião estamos
perante uma notícia com grande relevo para a nossa disciplina exactamente por
se apostar num desenvolvimento sustentável e num desenvolvimento de aspectos
que acabarão por reduzir as emissões no sector dos transportes – um dos mais
poluentes e que mais degrada o meio ambiente.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Principais Instrumentos de Tutela do Ambiente Urbano em Portugal
Principais Instrumentos de
Tutela do Ambiente Urbano em Portugal
Actualmente a questão do
ambiente urbano apresenta uma grande relevância, na medida em que se assume que
o Direito do Ambiente já não se deve apenas fixar nos meios rurais,
preocupando-se apenas com a natureza “no seu estado puro”, mas antes e como nos
diz Prieur “numa sociedade tão urbanizada, a política do ambiente deve penetrar
no meio urbano”. Desse modo e devido á multiplicidade dos conflitos de
interesses emergentes parece ser de concluir que hoje o movimento ecológico tem
um maior desenvolvimento na cidade que no campo. Por outro lado, a questão
apresenta uma grande complementaridade com outras disciplinas jurídicas, como o
urbanismo, não se fixando apenas no Direito do Ambiente.
Desse modo, por exemplo, ao
fixarmos o objecto do Direito do Urbanismo não pretendemos estabelecer regimes
que orientem e disciplinem uma sustentada e ponderada utilização dos recursos
naturais. No entanto, quando atentamos na alínea a) do n.º 1 do artigo 6.º da
Lei de Bases da Política de Ordenamento do Território e de Urbanismo (Lei n.º
48/98, de 11 de Agosto) rapidamente entendemos que entre estes dois ramos
existe, não uma autonomia, mas antes uma grande complementaridade e interpenetração,
que se traduzirá numa quase impossibilidade de “realização completa” no caso de
não se assumirem essas preocupações ambientais. Por outro lado, o Direito do
Ambiente denota um objecto mais operativo, fixando as suas atenções ao nível
das políticas ambientais e da actividade, desenvolvimento e intervenção
humanas.
Estas matérias levantam muitas
preocupações, quer nacionais, quer comunitárias, e desse modo podemos
distinguir três áreas problemáticas (identificadas no “livro verde sobre o
ambiente urbano da CEE”, 1990): a poluição urbana; o ambiente edificado;
espaços naturais na cidade – espaços verdes urbanos; Como tal, é fácil concluir
que passámos a ter algumas preocupações ambientais em sede de planeamento e
organização urbana.
Para completar esta nova
motivação ambiental, tivemos em 2002 uma conferência em Joanesburgo, onde
termos como “ecologia urbana”, “desenvolvimento urbano durável”, ou
“sustentabilidade das cidades” passaram a integrar o léxico jurídico-político.
Todas estas ideias traduzem uma estreita conexão entre ambiente e urbanismo.
Esta realidade encontra-se igualmente constitucionalizada em Portugal, noa art.
66/2 e) onde se faz exactamente essa relação entre ambiente e urbanismo –
Direito Ambiente Urbano.
Para que todas essas
inovações terminológicas não se cinjam ao vazio, teremos de as acompanhar de
instrumentos jurídico-financeiros que lhe confiram eficácia e eficiência.
- Planos Urbanísticos – apesar de serem instrumentos de politica urbanística assumem igualmente uma relevância ambiental, pois parece que deriva do própria logica do ordenamento território. Neste caso falamos por um lado no princípio da limitação da urbanização dos solos, que nos levará ao equilíbrio entre o ambiente e o desenvolvimento urbano; por outro lado temos uma exigência de consideração das circunstâncias concretas onde se exige um conhecimento sistematicamente adquirido e actual sobre a realidade; princípio da separação das utilizações urbanisticamente incompatíveis, como um princípio elementar do desenvolvimento urbano ordenado, e que se traduz num afastamento geográfico entre diferentes áreas – ex. habitação e industria.
- Espaços Verdes Urbanos – neste caso temos a lei de bases do ambiente e a lei de bases da política do ordenamento, que dão especial relevo a esta lógica. Os espaços verdes são muito descurados no nosso país mas mesmo assim não podemos ter dúvidas da sua relevância e importância na melhoria do ambiente urbano – áreas verdes urbanas, corredores verdes ou parques urbanos. Por outro lado, esta também muito ligada a uma política de desenvolvimento da melhoria da qualidade de vida nas cidades modernas.
O problema e
que regra geral a criação e fomento das áreas verdes entra no âmbito da
discricionariedade de planeamento ex. PDM, pelo que muitas vezes será colocado
de lado em detrimento de um incentivo á edificação que acabará por desembocar
em maiores receitas tributarias para o município.
- Combate à Poluição Urbana – temos aqui que remeter para as várias formas de poluição, desde logo a atmosférica, dos solos, das águas, mas sem com isso descurar a proveniente do ruido. No caso deste combate á poluição devemos atribuir uma grande importância aos planos de ordenamento que como a criação de zonas industriais, “descolonização de indústrias poluentes do ambiente urbano” acaba for favorecer a qualidade de vida urbana.
- Renovação Urbana – ocupa igualmente um importante papel ao nível dos instrumentos de melhoria e de tutela do ambiente urbano. Este aspecto prende-se muito com a revitalização, modernização e renovação do edificado, tornando os centros urbanos mais atractivos (apostando nas zonas consolidadas das cidades em detrimento da expansão das mesmas). A este nível temos alguma legislação, mas essencialmente foram criados vários projectos que visam a aplicação de fundos comunitários, ex. Programa POLIS.
Em suma, parece-me claro
que neste momento ambiente e urbanismo apesar de realidades distintas, acabam
em muitos casos por se complementar e por ganhar um especial relevo quando
tidos conjuntamente, tal como defende J. Morand-Deviller “devemos ter uma
relação de equilíbrio entre o construído e o não construído onde os espaços
livres têm a mesma importância que o silencio na musica: são indispensáveis à
harmonia e à respiração”
Por outro lado não podemos rejeitar uma logica
de cooperação activa onde tenderemos a apostar num desenvolvimento equilibrado,
harmónico e sustentado das cidades. Ainda uma última referencia para o elenco
de instrumentos jurídicos que possibilitam e delimitam a relação entre ambiente
e urbanismo.
sábado, 7 de abril de 2012
As Áreas Ambientais Protegidas – RAN;REN
As Áreas Ambientais Protegidas – RAN;REN
Por área
ambiental protegida devemos atender a todas as zonas delimitadas, que com um
caracter de primazia em face dos planos de ordenamento do território, exigem o
cumprimento e respeito das suas exigências aquando qualquer intervenção humana.
Em suma estamos perante instrumentos jurídicos, que criam zonas de protecção específica,
assumindo-se dessa forma como elementos fundamentais ao nível do ordenamento e
planificação do território.
O
Decreto – lei 19/93, de 23 de Janeiro, dá um grande salto qualitativo, na
medida em que se institui como Lei - Quadro das áreas protegidas.
Nesse
diploma, no art. 3º, temos a delimitação de objectivos fundamentais, tais como:
preservação, recuperação dos habitats naturais
que apresentem características peculiares; estabelecimento de reservas genéticas;
valorização de actividades culturais e económicas tradicionais assente na
protecção e gestão racional do património cultural;
Temos
em primeiro lugar a Reserva Agrícola
Nacional (RAN), que visa proteger as áreas com maior aptidão agrícola contribuindo,
dessa forma, para o desenvolvimento da agricultura portuguesa e para uma
correcta organização do território.
A tutela que nos reserva a RAN
encontra-se muito virada para o âmbito agrícola, algo que poderemos comprovar
ao nível dos seus objectivos fundamentais – protege o recurso solo, como
elemento fundamental da actividade agrícola; promove o desenvolvimento sustentável
da actividade agrícola. Actualmente vigora o Decreto – lei 73/2009, que se
apresenta o regime jurídico da RAN.
Por outro lado Reserva Ecológica
Nacional (REN) visa tutelar uma estrutura biofísica básica e diversificada
que, através de condicionamentos à utilização e/ou exploração de áreas com
características ecológicas específicas, garanta a protecção de ecossistemas
fundamentais. Estamos desta forma a apostar num equilíbrio entre a actividade
humana e a salvaguarda dos ecossistemas, garantindo deste modo a
biodiversidade.
Deste
modo, parece-me que a REN visa contribuir para a ocupação e o uso sustentáveis do
território, sendo que desse modo assume diversos objectivos (art. 2º. Decreto –
lei 166/2008)
a) Proteger
os recursos naturais água e solo, bem como salvaguardar sistemas e processos
biofísicos associados ao litoral e ao ciclo hidrológico terrestre, que
asseguram bens e serviços ambientais indispensáveis ao desenvolvimento das
actividades humanas;
b) Prevenir
e reduzir os efeitos da degradação da recarga de aquíferos, os riscos de
inundação marítima, de cheias, de erosão hídrica do solo e de movimentos de
massa de vertentes, contribuindo para a adaptação aos efeitos das alterações
climáticas e acautelando a sustentabilidade ambiental e a segurança de pessoas
e bens;
c) Contribuir
para a conectividade e a coerência ecológica da Rede Fundamental de Conservação
da Natureza;
d) Contribuir
para a concretização, a nível nacional, das prioridades da Agenda Territorial
da União Europeia nos domínios ecológico e da gestão transeuropeia de riscos
naturais.
Tanto a RAN, como a REN, assumem
uma particular importância ao nível municipal, pois muitas vezes criarão importantes
obstáculos a uma rápida erosão da génese do território municipal – desse modo
acabam por ter uma grande importância ao nível do desenvolvimento sustentável,
assumindo uma intenso papel no tocante ao ordenamento do território.
Numa pequena nota, parece-me que em certos casos
devemos “flexibilizar” estas exigências legais, para que não se contrarie a lógica
do desenvolvimento humano.
Os últimos aspectos que
gostaria de referir prendem-se em primeiro lugar com o facto de, na maior parte
das vezes as zonas delimitadas como “áreas protegidas” estarem afectas a espaços
de titularidade privada o que implica uma situação de colisão de direitos; Em
segundo lugar, temos que realçar o facto de muitas destas zonas estarem no
interior do nosso país, o que desse modo acaba sempre por ser mais um factor
que contribui para a desertificação.
Na minha opinião estas áreas
não podem deixar de existir pois constituem o sustentáculo da biodiversidade e
da protecção de muitos ecossistemas, pelo que devemos respeita-la.
Portugal está a desinvestir nas energias renováveis
Electricidade: Portugal com 130 mil
empregos em risco nas renováveis
O presidente do consórcio Eólicas de Portugal (ENEOP), responsável
pela instalação de 1200 MegaWatts (MW) de potência eólica no país, afirmou
ontem que estão em risco 130 mil empregos que poderiam ser criados na área das
renováveis, porque a actividade nacional está parada. “Nesta altura, em
Portugal está a desinvestir-se, quando o resto do mundo está a investir nas
energias renováveis. Estamos em contraciclo”, apontou Aníbal Fernandes,
citado pela agência Lusa.
Em causa,
afirmou, estão empregos directos e indirectos na fileira das renováveis,
sobretudo hídricas e eólicas, face à “paragem” da actividade, nomeadamente com
a revisão de incentivos, taxas e tarifas anunciada pelo governo. “Estamos a
falar de fábricas de aerogeradores que empregam muita gente, da construção de barragens,
da projecção e da gestão de parques, entre outros”, disse, à margem da visita
de um grupo de deputados do parlamento federal alemão às fábricas da Enercon em
Viana do Castelo.
Em
Portugal, o consórcio ENEOP realizou um investimento de 188 milhões de euros em
novas unidades industriais, lideradas pela alemã Enercon, número um na produção
de aerogeradores. Desde 2006, este consórcio, que junta empresas como a EDP e a
Finerge, criou 1930 postos de trabalho directos e 5 mil indirectos.
Por este
volume de investimento, o consórcio recebe 67 euros por cada MegaWatt hora
produzido nos respectivos parques. Na Alemanha, recordou Fernandes, esse valor
é de 96 euros, em Itália de 140 euros e na Bélgica de 120 euros. “A nossa
tarifa é a mais baixa de Europa. Contrariamente à cacofonia que algumas pessoas
querem instalar no país, porque têm agendas escondidas e são intelectualmente
desonestas”, criticou. “As tarifas que estão hoje em vigor e que algumas
pessoas criticam como o monstro eléctrico de Sócrates foram publicadas pelo
governo de Durão Barroso.”
Para o
presidente da ENEOP, o Estado tem agora de honrar os compromissos assumidos. “O
que queremos é que o valor da tarifa que nos foi consignada, num concurso legal
e transparente, nos seja garantido nos pontos de ligação à rede. Mais nada.” Apesar
da paragem nos financiamentos e na política de diversificação das fontes de
energias renováveis – que afirma estar a acontecer desde o Verão passado –,
o responsável admitiu que só foi possível manter os postos de trabalho através
do incremento das exportações, nomeadamente pela Enercon.
Esta notícia, publicada ontem na
edição online do jornal i, parece-me que comporta uma especial relevância para
a nossa disciplina no tocante às duas afirmações, por mim sublinhadas, do
presidente da ENEOP. (A noticia não se foca
directamente nestes aspectos, mas estes parecem-me especialmente pertinentes).
Da primeira afirmação, retira-se
que Portugal está neste momento a desinvestir nas energias renováveis, algo que
poderá parecer, numa primeira avaliação, a solução mais fácil no entanto e
fazendo uma analise mais profunda da questão, parece-me que na situação de
crise que vivemos a aposta devia ser precisamente a inversa, de modo a que se
reduzisse a dependência energética externa, algo que neste momento condiciona o
nosso “restabelecimento económico”.
Por outro lado, e
avaliando agora a segunda afirmação do presidente da ENEOP, parece-me que a
aposta na diversidade de fontes energéticas renováveis, não deveria ser posta
em causa, pois Portugal apresenta-se como um pais com óptimas condições em
relação a um grande leque de fontes renováveis – sol, ondas, mares, entre
outros- pelo que deve ser feito um investimento o mais diversificado possível. Esta
parece-me ser a melhor solução, pois no caso de ocorrer algum problema em
alguma delas, a autonomia energética portuguesa nunca seria colocada em causa.
Também uma nota para o facto de, segundo o presidente da ENEOP, estarmos perante uma época de redução do financiamento. Relativamente a esta questão parece-me que temos de procurar novos investidores e devemos criar as melhores condições possíveis para a entrada de capitais estrangeiros no nosso país.
Deste modo, parece-me que
os dois aspectos tratados nesta noticia têm, para além de uma grande relevância
ambiental, uma muito grande importância económica, pelo que a questão, na minha
opinião, deve ser tratada com uma maior ponderação e não permitindo apenas uma
satisfação a curto prazo, pois esses casos são normalmente avessos ao
desenvolvimento e ao progresso.
Certificação Energética dos Edifícios
Certificação Energética dos Edifícios
Actualmente a problemática
da energia, da crise energética e da necessidade de assumir políticas de
poupança, assume-se como uma questão da “ordem do dia”. Ao nível energético o
PROTOCOLO DE QUIOTO assumiu-se com uma grande relevância ao nível específico do
combate à destruição da camada do ozono, remetendo-nos para a lógica da redução
da emissão de gases. No entanto parece-me claro que a sua falha em muito se
ficou a dever a falta de consciência ecológica e ambientalista de muitas das
nações mais desenvolvidas, que não conseguiram abdicar de uma actuação
excessivamente poluente.
É precisamente neste
âmbito que surge a questão da certificação energética dos edifícios, que se
traduz num problema de consumo energético dos edifícios e ainda numa medida de
qualidade do ar interior dos mesmos.
- · Temos uma consagração destas preocupações ao nível comunitário, que se traduz em diversas directivas, entre as quais a Directiva 2002/91/CE, muito preocupadas com o desempenho energético dos edifícios (isolamento térmico, fontes de energia renováveis e concepção dos edifícios).
Nesse âmbito passamos a ter uma nova
metodologia de cálculo do desempenho energético integrado dos edifícios, e uma
inspecção regular por técnicos qualificados e acreditados para que se garanta
uma “abordagem comum do processo”.
- · Já ao nível nacional temos o Decreto – lei 78/2006, de 4 de Abril, que nos aborda precisamente a questão do “Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios”, sendo uma transposição parcial da directiva acima assinalada. Neste âmbito importa realçar em primeiro lugar a lógica informativa deste sistema (o grande relevo esta no conhecimento do desempenho energético dos edifícios); em segundo lugar a integração faseada do sistema de certificação, de forma a distinguirmos as antigas das novas construções; e em terceiro lugar o facto de estarmos perante procedimentos ágeis, simples e desburocratizados.
Uma pequena nota para o facto de haver
naturais distinções a fazer, nomeadamente no que toca às diferentes categorias
de edifícios.
Para além disso e igualmente criada a
AGENCIA PARA A ENERGIA que fica responsável pela aplicação, gestão e
fiscalização do trabalho de certificação.
- · Ainda nos importa realçar o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios que vem previsto no Decreto – lei 79/2006, de 4 de Abril, que nos aborda essencialmente questões de conforto térmico, higiene e de eficiência dos sistemas de climatização e dos edifícios. Deste regulamento parece clara a conclusão de quanto melhor for a eficiência energética mais facilmente se manterá uma boa qualidade do ar interior
- · Também ao nível nacional imporá realçar o Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios, Decreto – lei 80/2006, de 4 Abril, que nos impõe limites aos consumos, por um lado, e por outro aumenta-nos o grau de exigência de formação profissional dos técnicos responsáveis. Trata então as exigências de controlo térmico, de ventilação entre outras, mas sem dispêndio energético excessivo. Este diploma tem uma natureza demasiado técnica que não irei naturalmente precisar neste texto.
Em suma, da analise deste
texto e dos vários diplomas por mim elencados (apesar de serem diplomas onde
reina o rigor técnico), parece ser de concluir que a questão da eficiência
enérgica é algo bastante actual e que merce o melhor dos cuidados. Por outro
lado, e para além da grande conotação que esta matéria tem com o ambiente, não
nos poderemos esquecer que quanto mais eficiente for o nosso edifício e quanto
menor for o desperdício energético maior será a poupança, o que em tempo de
crise não me parece ser de rejeitar.
http://www.ecocasa.pt/
(link do site relativo a construção sustentável)
http://www.certificacaoenergetica.com/
(link do site da certificação energética)
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