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terça-feira, 22 de maio de 2012

Planos de Ordenamento de Albufeiras


"Os Planos de Ordenamento das Albufeira de Águas Públicas (POAAP), também designados comummente como Planos de Ordenamento das Albufeiras (POA), são planos especiais de ordenamento do território que consagram as medidas adequadas à protecção e valorização dos recursos hídricos na área a que se aplicam de modo a assegurara sua utilização sustentável, vinculando a Administração Pública e os particulares.

Constituem objectivos dos POAAP a definição de regimes de salvaguarda, protecção e gestão estabelecendo usos preferenciais, condicionados e interditos do plano de água e da zona terrestre de protecção, e a articulação e compatibilização, na respectiva área de intervenção os regimes e medidas constantes noutros instrumentos de gestão territorial e instrumentos de planeamento das águas.

Os POAAP incidem sobre as albufeiras de águas públicas classificadas em função da sua utilização como albufeiras de utilização protegida, utilização condicionada ou utilização livre, e identificam e definem nomeadamente:
  • A delimitação da albufeira e da respectiva zona terrestre de protecção, incluindo os limites da zona reservada, assim como os limites da zona de protecção da barragem e dos órgãos de segurança e de utilização da albufeira e da zona de respeito da barragem e dos órgãos de segurança e de utilização da albufeira;
  • Os valores naturais, culturais e paisagísticos a preservar;
  • Os usos principais da albufeira;
  • As actividades secundárias compatíveis com os usos principais, bem como a suas regras, intensidade e localização preferencial em função das características e capacidade de carga da albufeira;
  • Os usos preferenciais, condicionados e interditos tendo em atenção a utilização sustentada dos recursos hídricos e da respectiva zona terrestre de protecção;
  • Os níveis de protecção adequados para a salvaguarda da albufeira e da zona terrestre de protecção associada, tendo em vista a salvaguarda dos recursos naturais, em especial dos recursos hídricos.

A elaboração dos Planos de Ordenamento de Albufeiras de Águas Públicas é uma competência do Instituto da Água, IP, (INAG), que nos termos da Lei da Água e dos estatutos do INAG, pode ser delegada nas Administrações de Região Hidrográfica (ARH) territorialmente competentes.

O Plano de Ordenamento da Albufeira do Caia, publicado em 1993, foi o primeiro POAAP a ser desenvolvido e até à data foram já elaborados e publicados 41 POAAP.

A implementação dos POAAP é da responsabilidade das ARH e os Municípios territorialmente competentes, assim como das entidades consideradas no Plano de Execução e Plano de Financiamento.

A fiscalização do cumprimento das disposições dos POAAP compete às Administrações de Região Hidrográfica e Municípios territorialmente abrangidos, e às demais entidades competentes em razão de matéria."

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Anomalia em bomba de gasolina provoca derrame de combustível no rio Lis



20.05.2012
Uma “anomalia do separador de águas” num posto de combustível da Galp Energia, em Leiria, terá provocado neste sábado à noite um derrame de combustível no rio Lis.
O alerta do derrame foi dado, no sábado, pelas 20h, informou o vice-presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes. “A resposta rápida da Protecção Civil permitiu minimizar as consequências ambientais, que poderiam ter tido sido mais graves”, acrescentou o autarca, revelando que, pelas 20h30, uma empresa da especialidade já estava no local a proceder à “descontaminação hídrica”.

Desconhece-se, para já, a quantidade de combustível derramado. Gonçalo Lopes garantiu que os meios vão ficar no local pelo menos mais dois dias. “Os técnicos estiveram toda a noite a aspirar o combustível que aparece à tona”, informou.

De momento, está a decorrer uma “inspecção à anomalia do separador de águas” que terá estado na origem da fuga de combustível, disse Pedro Marques Pereira, porta-voz da Galp Energia. “Foram tomadas todas as medidas de contenção de imediato, em articulação com as entidades locais”, acrescentou.

Segundo Gonçalo Lopes, estiveram no local três hidrolimpadores, um veículo cisterna, além de elementos dos Bombeiros Municipais de Leiria e da Divisão do Ambiente da autarquia. O Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR também tomou conta da ocorrência.

Estudo de impacte ambiental


"IP7 – EIXO VIÁRIO NORTE-SUL
VIADUTO DO EIXO VIÁRIO
NORTE/SUL SOBRE A AV. PADRE
CRUZ
PROJECTO BASE
ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL
Consultores de Arquitectura
Paisagista e Ambiente, Lda.
VOLUME 1 – RESUMO NÃO TÉCNICO
Av. Padre Cruz
Eixo Viário Norte/Sul
Consultores de Arquitectura
Paisagista e Ambiente, Lda.
Mai o 2 0 0 4
IP7 – EIXO VIÁRIO NORTE-SUL
VIADUTO DO EIXO VIÁRIO NORTE/SUL SOBRE A AV.
PADRE CRUZ
PROJECTO BASE
ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL
VOLUME 1 − RESUMO NÃO TÉCNICO
Consultores de Arquitectura
Paisagista e Ambiente, Lda.
IP7 – Eixo Viário Norte-Sul, Viaduto do Eixo Viário Norte/Sul sobre a Av. Padre Cruz – PROJECTO BASE - E.I.A. - RESUMO NÃO TÉCNICO
IP7 – EIXO VIÁRIO NORTE-SUL
VIADUTO DO EIXO VIÁRIO NORTE/SUL SOBRE A AV. PADRE CRUZ
PROJECTO BASE
ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL
VOLUME 1 – RESUMO NÃO TÉCNICO
NOTA DE APRESENTAÇÃO
ARQPAIS, Consultores de Arquitectura Paisagista e Ambiente, Lda., apresenta o Estudo
de Impacte Ambiental relativo ao Viaduto do Eixo Viário Norte/Sul sobre a Avenida Padre
Cruz, em fase de Projecto Base.
O Estudo de Impacte Ambiental é composto:
􀂃 pelo presente Resumo Não Técnico;
􀂃 por um Relatório Síntese;
􀂃 por um volume de Anexos Técnicos;
􀂃 por dois volumes referentes aos projectos de medidas de minimização – Protecção
Sonora e Integração Paisagística
Lisboa, Maio de 2004
ARQPAIS, Consultores de Arquitectura Paisagista e Ambiente, Lda.
Otília Baptista Freire
(Directora Técnica)
Consultores de Arquitectura
Paisagista e Ambiente, Lda.
IP7 – Eixo Viário Norte-Sul, Viaduto do Eixo Viário Norte/Sul sobre a Av. Padre Cruz – PROJECTO BASE - E.I.A. - RESUMO NÃO TÉCNICO
IP7 – EIXO VIÁRIO NORTE-SUL
VIADUTO DO EIXO VIÁRIO NORTE/SUL SOBRE A AV. PADRE CRUZ
PROJECTO BASE
ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL
VOLUME 1 – RESUMO NÃO TÉCNICO
ÍNDICE
Pág.
1 - INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 1
2 - O PROJECTO EM ESTUDO ............................................................................................................... 3
3 - CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DA ÁREA DE ESTUDO E PRINCIPAIS IMPACTES AMBIENTAIS ..... 8
4 - CONCLUSÃO FINAL ...................................................................................................................... 15
Consultores de Arquitectura
Paisagista e Ambiente, Lda.
IP7 – Eixo Viário Norte-Sul, Viaduto do Eixo Viário Norte/Sul sobre a Av. Padre Cruz – PROJECTO BASE - E.I.A. - RESUMO NÃO TÉCNICO 1
1 - INTRODUÇÃO
O presente Resumo Não Técnico enquadra-se no Relatório Final do Estudo de Impacte
Ambiental referente ao Viaduto do Eixo Viário Norte-Sul sobre a Avenida Padre Cruz,
integrado no IP7 – Eixo Norte-Sul, tendo sido adjudicado pelo Instituto de Estradas de
Portugal (IEP) à ARQPAIS, Consultores de Arquitectura Paisagista e Ambiente, Lda..
O Relatório Final do Estudo de Impacte Ambiental, agora apresentado, tem por objectivo a
análise ambiental do traçado em fase de Projecto Base e foi efectuado com vista ao
cumprimento da legislação em vigor sobre Avaliação de Impacte Ambiental, nomeadamente o
Decreto-Lei n.º 69/00, de 3 de Maio e a Portaria n.º 330/01, de 2 de Abril.
O Estudo Prévio do Eixo Norte-Sul foi desenvolvido em 1996, tendo sido aprovado o
corredor sobre o qual incidiu o posterior projecto de execução. Este último foi finalizado em
1998, com a aprovação da Câmara Municipal de Lisboa constituindo os nós da Av. Padre
Cruz e com a CRIL, projectos individualizados. Estes projectos foram acompanhados do
respectivo EIA, efectuado pela empresa Espaços Verdes – Projectos e Construção, Lda, dando
continuidade ao EIA já elaborado em fase de estudo prévio para o mesmo lanço.
Em 2001 foi adjudicado pelo ex-ICOR à ARQPAIS, Consultores de Arquitectura Paisagista e
Ambiente, Lda a elaboração do EIA do Eixo Viário Norte-Sul – Av. Padre Cruz / Nó de
Ligação à CRIL, em fase de projecto de execução, o qual não incluía porém o Nó com a Av.
Padre Cruz. Este EIA foi sujeito a processo de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), tendo
dado entrada no Ministério do Ambiente e Recursos Naturais (actual Ministério das Cidades,
Ordenamento do Território e Ambiente) a 22 de Abril de 2002, e tendo obtido Parecer
Favorável Condicionado do Exmo. Sr. Secretário de Estado do Ambiente a 18 de Dezembro
de 2002.
A separação do Nó do Eixo Norte/Sul com a Av. Padre Cruz deveu-se ao facto do projecto
inicial deste nó, realizado pela Consulplano e revisto pela Viaponte, não se adaptar segundo a
Câmara Municipal de Lisboa à zona urbana onde se iria implantar. Neste contexto, técnicos
da Direcção de Projecto de Coordenação, Planeamento e Recuperação de Áreas Degradadas
(DPCOPRAD) desta autarquia, desenvolveram uma “Proposta de Alteração ao Estudo Inicial”
sujeita ao parecer dos diferentes sectores da câmara, do IPPAR, do ex-ICOR e da Direcção
Regional de Ambiente de Lisboa e Vale do Tejo.
O projecto resultante foi alvo de EIA em fase de projecto base, uma vez que se previa o
lançamento de um concurso de concepção-construção. Este foi sujeito a AIA tendo obtido
parecer de desconformidade a 25 de Outubro de 2003.
Nesta sequência, e tendo em consideração a recente actualização do Plano Rodoviário
Nacional (Decreto-Lei n.º 182/2003 de 16 de Agosto) na qual o Eixo Viário Norte-Sul passa a
integrar o Itinerário Principal n.º 7 (IP 7), deixando de ser responsabilidade da Câmara
Municipal de Lisboa para ficar sob a alçada do IEP, decidiu este instituto sujeitar o projecto
do Viaduto do Eixo Viário Norte-Sul sobre a Avenida Padre Cruz a procedimento de AIA.
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IP7 – Eixo Viário Norte-Sul, Viaduto do Eixo Viário Norte/Sul sobre a Av. Padre Cruz – PROJECTO BASE - E.I.A. - RESUMO NÃO TÉCNICO 2
Nesta sequência foi adjudicada à ARQPAIS, Consultores de Arquitectura Paisagista e
Ambiente Lda. a realização do EIA do referido projecto, o qual incide única e exclusivamente
sobre o Viaduto, respectivos ramos de acesso (Ramos A e B), bem como sobre o
restabelecimento da Azinhaga da Cidade (Restabelecimento 2), devido à implantação de dois
dos pilares do viaduto sobre a referida via.
O objectivo deste estudo é, portanto, analisar as implicações ambientais do projecto,
procedendo à proposta das medidas minimizadoras dos impactes gerados passíveis de
implementação, com vista à sua redução, compensação ou mesmo eliminação.
É de referir que após a conclusão do Estudo de Impacte Ambiental e respectivo envio ao
Instituto do Ambiente, para instrução do Procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental,
se verificou a necessidade de efectuar alguns ajustes ao projecto Base do Viaduto, decorrentes
da elevada complexidade de que se reveste e das características específicas do local onde se
implanta o mesmo, os quais se enunciam seguidamente:
􀂃 reajustamento dos pilares do viaduto a partir do pilar P7, tendo-se aumentado o vão de
40 para 52,30 m, resultando na redução de 15 para 13 pilares;
􀂃 reajustamento do Restabelecimento nº 2, da Azinhaga da Cidade, aproximando-o da
zona de projecção vertical do viaduto, de modo a conferir prioridade a quem circula na
referida Azinhaga. Refere-se, ainda, que de modo a não comprometer no futuro, um
reordenamento viário sob o viaduto nesta zona, se suprimiu parcialmente o aterro do
encontro norte do viaduto, substituindo-o por um muro;
􀂃 na cartografia de projecto foi ainda ajustada a quilometragem da plena via do viaduto,
por forma a integrar os 100 m iniciais onde, conforme é referido no Volume 2 –
Relatório Síntese, Capítulo 3 – Caracterização do Projecto, está previsto efectuar
pequenos acertos decorrentes da inserção dos Ramos A e B, pelo que a extensão total
passa a ser de 1.261,467 m.
Os ajustamentos acima referidos mantêm-se inseridos dentro da faixa de 100 m (centrada no
eixo do viaduto) onde a Câmara Municipal de Lisboa se encontra a adquirir os imóveis e
terrenos potencialmente interferidos pela obra em estudo. A este facto acresce que se assistirá
a uma redução das áreas ocupadas, sendo que com a nova implantação dos pilares e
redefinição do traçado do Restabelecimento 2 não serão interferidas áreas afectas a usos
distintos dos já identificados.
Efectivamente a zona onde ocorreram os ajustes de projecto são terrenos expectantes da
Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente, o parque de estacionamento provisório que foi
utilizado durante as obras do Metropolitano E.P., o qual se encontra actualmente desactivado.
Deste modo, considera-se que as alterações efectuadas ao projecto não determinam novos
impactes, pelo que a avaliação de impactes efectuada no âmbito do EIA se mantém válida
O Estudo de Impacte Ambiental é composto por um Relatório Síntese, um volume de Anexos
Técnicos, o presente Resumo Não Técnico, e os Projectos de Medidas de Minimização
relativos à Protecção Sonora e Integração Paisagística.
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2 - O PROJECTO EM ESTUDO
O troço do Eixo Viário Norte-Sul em estudo desenvolve-se no Concelho de Lisboa,
atravessando apenas a freguesia do Lumiar. Contudo, este eixo quando concluído estenderá a
sua influência a grande parte do país, através das interligações que estabelece com a rede
viária fundamental já existente e prevista no Plano Rodoviário Nacional, que quando
completa permitirá reduzir os tempos de percurso e os gastos de combustível, e
simultaneamente assegurar níveis de segurança superiores nas deslocações efectuadas.
A recente integração do Eixo Viário Norte–Sul no IP7, na sequência da actualização do PRN
através do Decreto-Lei n.º 182/2003 de 16 de Agosto, denota bem a importância que este eixo
apresenta no contexto nacional, o qual quando completo permitirá reduzir os tempos de
percurso e os gastos de combustível e, simultaneamente assegurar níveis de segurança
superiores nas deslocações efectuadas. Este cumpre deste modo a função de via urbana
distribuidora, que se interliga através da Ponte 25 de Abril e da CRIL, com o eixo viário
longitudinal que atravessa o país - o Itinerário Principal nº 1 (IP 1), o qual integra a Autoestrada
A1, em direcção a norte e a Auto-estrada A2, em direcção a sul (Figura 1).
De facto, verifica-se actualmente que o tráfego proveniente do Norte, pela Auto-estrada A1
com destino à margem Sul, pela Ponte 25 de Abril/Auto-estrada A2, e vice-versa, tem
necessidade de atravessar Lisboa, revelando-se este muito penalizador para a cidade que não
comporta os níveis de tráfego a que está sujeita, originando congestionamentos diários com
repercussões na segurança e qualidade de vida da população.
A conclusão deste eixo viário evitará assim o referido atravessamento, permitindo ainda a
distribuição do tráfego proveniente do Norte, Sul e do Oeste para o interior da cidade através
dos nós de ligação previstos a importantes avenidas de Lisboa, sendo que os benefícios
directos para a cidade sentir-se-ão ainda ao nível da melhoria das condições de circulação na
Av. Padre Cruz.
Figura 1 - Localização e
Enquadramento do Traçado.
Eixo Viário Norte-Sul construído
Eixo Viário Norte-Sul projectado
Troço em análise
IP7
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O troço agora em análise tem início a poente do Cemitério do Lumiar, desenvolvendo-se a sul
do mesmo antes de transpor a Av. Padre Cruz e sobrepassar o Mercado Municipal desta zona
histórica de Lisboa, terminando já a nascente do mesmo numa zona de terrenos expectantes
em progressiva urbanização, observando-se já alguns edifícios, recentemente construídos ou
ainda em construção. O traçado em estudo irá assim ligar o lanço já construído do Eixo Viário
Norte-Sul Av. das Nações Unidas – Av. Padre Cruz, com o lanço Av. Padre Cruz – Nó de
Ligação à CRIL, já viabilizado ambientalmente.
O traçado em estudo apresenta uma extensão total de aproximadamente de 1.262 m, sendo
que cerca de 775 m se desenvolvem em viaduto apoiado em 13 pilares centrais com vãos
compreendidos entre os 35 e os 52,3 m, com excepção da zona de atravessamento da Av.
Padre Cruz e do Mercado do Lumiar, onde se adoptam, respectivamente, vãos de 90 m (entre
o Pilar 3 e 4) e 80 m (entre o pilar 6 e 7) de modo a vencer estes obstáculos.
Esta via apresenta uma geometria em toda a sua extensão compatível com uma velocidade
base de projecto de 80 km/h.
A articulação da Avenida Padre Cruz com o Eixo Norte/Sul será efectuada através da
concordância dos dois ramos existentes (actual entrada e saída do Eixo Viário Norte-Sul na
zona de Telheiras) com o viaduto agora em estudo.
O perfil transversal tipo preconizado para a plena via/viaduto do Eixo Viário Norte-Sul,
apresenta três vias de tráfego em cada sentido (2x3), e compõe-se de duas faixas de rodagem
unidireccionais com três vias de 3,50 m de largura, cada uma delas, perfazendo uma largura
total de 10,5 m; um separador central com 0,60 m de largura na base, ao qual estão associadas
duas bermas esquerdas com 1,0 m de largura; duas bermas direitas com 3,00 m de largura e
dois passeios laterais com 1,20 m de largura necessários à instalação de guarda de segurança
metálica e guarda-corpos perfazendo uma largura total de 32 m.
O perfil transversal tipo preconizado para os Ramos A e B apresenta uma faixa de rodagem
com duas vias de sentido único, cada uma com 3,5 m, uma berma exterior com 2,5 m de
largura e uma berma interior com 1,0 m de largura, originando um perfil com uma largura
total de 10,5 m. Refira-se que ambos os ramos contemplam, ainda, vias suplementares de
aceleração ou abrandamento conforme se trate do Ramo A ou Ramo B. Finalmente, o
Restabelecimento 2 é composto por uma faixa de rodagem com uma via de 3,5 m por sentido,
às quais estão associadas bermas laterais de 1,5 m, perfazendo um perfil com 10 m de largura
total.
Desta forma, o lanço agora em análise desenvolver-se-á, embora numa zona periférica do
concelho de Lisboa, sobre o tecido urbano da zona do Lumiar, atravessando parcialmente e
numa zona marginal a Área Classificada do Conjunto Monumental do Paço do Lumiar e a
respectiva Zona de Protecção Especial.
O sistema rodoviário que atravessa a área em estudo e que é interceptado pelo viaduto é
constituído fundamentalmente pela Av. Padre Cruz e Alameda das Linhas de Torres, bem
como por diversos arruamentos camarários.
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A construção deste viaduto e a conclusão do Eixo Viário Norte-Sul possibilitará uma maior
fluidez de tráfego, evitando que os veículos pesados circulem na proximidade de zonas
habitacionais, aumentando a segurança e a qualidade de vida, quer dos utentes destas vias,
quer dos residentes na sua envolvente.
Na Figura 2 é possível observar a implantação do Viaduto do Eixo Viário Norte-Sul sobre a
Av. Padre Cruz sobre a cartografia militar à escala 1:25.000.
Refira-se que dada a sensibilidade da área a sobrepassar com o viaduto, a Câmara Municipal
de Lisboa, através de um protocolo assinado com o Instituto de Estradas de Portugal (IEP) em
10 de Outubro de 1996, deu início a um processo de aquisição dos terrenos e imóveis numa
faixa de sensivelmente 100 m centrada no eixo do viaduto em projecto. Apesar da antiguidade
deste processo, e uma vez que o projecto do viaduto, inicialmente da responsabilidade da
Câmara Municipal, transitou para o IEP, a que acrescem os recentes ajustes efectuados ao
projecto base, o referido processo ainda não se encontra concluído.
Refira-se, contudo, que parte dos terrenos sob o viaduto são já pertença da Câmara Municipal
de Lisboa, pelo que não será necessário proceder à sua aquisição, bem como alguns volumes
edificados de carácter público, nomeadamente, o Mercado do Lumiar e instalações da Junta
de Freguesia do Lumiar. Assim, está prevista a aquisição de todos os volumes edificados de
carácter privado localizados sob o viaduto, os quais deverão ser demolidos aquando do início
da construção do mesmo, devendo manter-se apenas em funcionamento o Mercado do Lumiar
e os dois edifícios afectos à Junta de Freguesia do Lumiar.
De modo a manter em funcionamento estes dois estabelecimentos públicos, bem como a
assegurar a circulação na Av. Padre Cruz e a Alameda das Linhas de Torres, está prevista a
colocação de uma protecção em pórtico temporário durante a construção desta infra-estrutura,
de modo a salvaguardar a queda de objectos ligeiros ou pessoas durante a construção. Acresce
que se recorrerá à montagem do tabuleiro através de avanços sucessivos, recorrendo à préfabricação
das aduelas do caixão, as quais serão colocadas na frente de montagem com auxílio
a uma viga de lançamento de forma a movimentar as cargas pesadas sobre os referidos
atravessamentos em horários de pouca frequência de pessoas e bens, isto é, durante o período
nocturno.
Deste modo assegura-se o funcionamento dos estabelecimentos e a circulação viária na sua
envolvente, sendo que caso se verifique a necessidade de condicionar o trânsito, este
condicionamento deverá ocorrer durante a noite, num curto período de tempo, sendo
apresentado para o efeito pelo empreiteiro a quem for adjudicada a obra um Projecto de
Desvios Provisórios sujeito à aprovação da Câmara Municipal de Lisboa.
Relativamente aos volumes previstos nos movimento de terras a efectuar para implantação do
viaduto e readaptação dos ramos de entrada e saída do Eixo Viário Norte/Sul, verifica-se que
o balanço é negativo, sendo necessário recorrer a zonas de empréstimo (Quadro 1). Refira-se,
contudo, que em virtude de se verificar sempre a existência de materiais sem características
adequadas à execução de aterros, deverá ser provável igualmente o recurso a vazadouros de
materiais.
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Quadro 1 - Resumo dos Movimentos de Terras
Troços Escavação (m³) Aterro (m³) Balanço (m³)
Em fundações dos pilares e encontros do viaduto 4.300 1.000 +3.300
Nos Ramos A e B e no Restabelecimento 2 4.000 41.500 -37.500
Os valores previstos para o tráfego médio diário (TMD) no troço em estudo para os anos de
2005, 2015 e 2025 encontram-se no Quadro 2.
Quadro 2 - Evolução prevista do Tráfego Médio Diário Anual
ANO 2005 2015 2025
Cenário/
Veículos
Total Pesados Total Pesados Total Pesados
Plena Via Optimista 49282 3864 82084 6114 120026 7931
(Viaduto) Pessimista 43717 3427 64021 4768 91620 6054
Optimista 14039 688 20308 945 24085 1065
Ramo A
Pessimista 13053 640 17400 810 21169 936
Optimista 2054 101 2972 138 3525 156
Ramo B
Pessimista 1910 94 2546 119 3098 137
A calendarização deste projecto, prevista pelo IEP, prevê o início da construção do viaduto do
Eixo Viário em análise no final de 2004, e a sua conclusão após um ano, sendo que este
deverá ser aberto ao tráfego em 2006, simultaneamente com a abertura do último lanço Av.
Padre Cruz – Nó de Ligação à CRIL, já viabilizado ambientalmente.

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3 - CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DA ÁREA DE ESTUDO E PRINCIPAIS
IMPACTES AMBIENTAIS
O traçado em estudo envolve, como já se referiu, a construção do viaduto sobre a Av. Padre
Cruz e a readaptação dos dois ramos existentes que actualmente fazem a articulação desta
avenida com o final do Eixo Norte-Sul na zona de Telheiras. A sua implantação numa zona
claramente urbana, fortemente antropizada, onde todas as características naturais foram já de
uma forma ou de outra adulteradas pela construção massiva, conduz necessariamente a um
tipo de análise distinta daquela que habitualmente se efectua num EIA.
Desta forma, não se justifica uma análise profunda de descritores como a geomorfologia e
geologia, solos, clima, recursos hídricos e sistemas ecológicos, importando antes caracterizar
a área de intervenção do ponto de vista biofísico, procurando identificar pontos de potencial
conflito e/ou interferência relacionados com os descritores em causa.
Pelo contrário, os descritores Qualidade do ar e Ambiente Sonoro tornam-se muito relevantes
no presente contexto urbano, sendo integrados num capítulo desenvolvido mais
pormenorizadamente, que caracteriza estes dois factores ambientais.
Assim, do ponto de vista geomorfológico a região afecta ao traçado é constituída por uma
superfície de aplanação, levemente inclinada para SE em direcção ao rio Tejo. O traçado,
desenvolve-se na zona ocidental da bacia hidrográfica do Tejo, sub-bacia da ribeira de
Odivelas/Póvoa (afluente da ribeira de Loures), com uma direcção aproximada SW-NE, na
zona do Lumiar. A região envolvente ao traçado caracteriza-se por um relevo aplanado
bastante erodido, onde se notam ainda escassas colinas pouco expressivas, onde as cotas não
ultrapassam em geral os 150 m e os declives suaves, variam entre 0 e 8%. Desta forma, a
bacia hidrográfica do rio Tejo constitui o principal elemento geomorfológico, estando toda a
região fortemente condicionada pelo encaixe vertical dos cursos de água que a constituem,
não se prevendo a intercepção de nenhuma linha de água pelo traçado.
A geologia desta região engloba exclusivamente terrenos detríticos da bacia sedimentar do
Tejo, essencialmente areias e argilas por vezes cobertas por Aluviões modernas.
As alterações na topografia causadas pela construção deste traçado serão muito reduzidas
tendo em consideração a área onde se irá implantar (zona aplanada) e as características do
próprio projecto (viaduto). Desta forma, os sistemas de drenagem existentes não serão
alterados significativamente, e os fenómenos erosivos serão minimizados dado que a área de
solo exposto, devido à destruição do coberto vegetal existente, será muito reduzida. Devido às
características geomorfológicas da região, e ao facto do projecto em estudo incluir apenas a
construção de um viaduto numa zona aplanada e a readaptação de ramos já existentes e muito
agarrados ao terreno, não se prevê a construção de aterros e escavação de grandes dimensões.
Assim, tendo em consideração que o projecto em estudo se desenvolve numa área já
totalmente urbanizada, logo profundamente alterada, não se prevêem a este nível impactes
significativos. O défice de terras previsto para a construção deste lanço implicará o recurso a
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manchas de empréstimo, bem como a vazadouros de materiais em virtude de algumas das
terras de escavação não poderem ser reutilizadas. O impacte é considerado pouco significativo,
não só devido aos reduzidos volumes de terras em causa, mas também porque a intervenção de
áreas para vazadouro ou empréstimo de terras será feita necessariamente em zonas licenciadas
para o efeito.
Na totalidade do concelho de Lisboa a cartografia de solos e de aptidão agrícola, considera
toda a superfície como Área Social, não assinalando qualquer mancha de solos.
Tal resulta do elevado grau de ocupação dos seus solos, com áreas construídas ou infra-
-estruturadas. Mesmo relativamente às áreas intersticiais ainda não ocupadas, uma boa parte
delas apresenta já o solo original profundamente alterado em resultado de escavações ou
aterros, em que frequentemente são adicionados materiais estranhos aos originais.
A construção da estrada não afectará, directa ou indirectamente, qualquer área de solos da
RAN, ou de outros solos de elevada aptidão agrícola. Por essa razão não se propôs qualquer
medida minimizadora.
A análise climática da área em estudo (de acordo com a classificação climática pelo método
de Thornthwaite para a estação Lisboa/Portela) indica que se trata de uma região com um
clima húmido, temperado, com falta de água no Verão. Concluiu-se que, dadas as
características climáticas da área em estudo, os impactes nesta componente devem ser
considerados de magnitude e significância baixa.
Do ponto de vista dos recursos hídricos, o traçado em estudo desenvolve-se na bacia
hidrográfica do rio Trancão, na sub-bacia hidrográfica da ribeira da Póvoa (afluente da ribeira
de Loures). Este projecto para além de se desenvolver maioritariamente em viaduto não
atravessa nenhuma linha de água, pelo não se prevêem impactes directos sobre recursos
hídricos superficiais.
Uma vez que a zona onde se desenvolve o projecto se trata de uma área já muito urbanizada,
não se verificam impactes significativos, no entanto, irá contribuir, mesmo que de forma
ligeira, para o aumento da impermeabilização do solo, incremento do escoamento superficial,
assim como para criação de obstáculos ao escoamento natural.
Assim, os impactes na drenagem superficial resultarão principalmente do acréscimo na área
impermeabilizada dos solos e consequente redução da infiltração, já muito reduzida, com
aumento do escoamento superficial, o que diminuirá igualmente a recarga dos aquíferos.
No presente estudo, pelo facto de este se desenvolver em viaduto, numa área já bastante
impermeabilizada, sem interferência com linhas de água ou com captações, o impacte sobre
os recursos hídricos torna-se bastante reduzido. No entanto, foram propostas algumas medidas
para minimizar os potenciais impactes negativos.
No que respeita aos sistemas ecológicos, e do ponto de vista da conservação da flora e da
fauna, o presente EIA apresenta algumas características pouco usuais. De facto, apesar da área
em estudo se situar dentro da cidade de Lisboa, podendo garantir-se, à partida o valor
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praticamente nulo da área afectada pelo projecto, foram cumpridos todos os procedimentos
usuais para Avaliação de Impactes Ambientais impostos pela legislação enquadrante.
Os resultados obtidos permitiram demonstrar que a flora e a vegetação da área de estudo, têm
um valor botânico nulo. Esta conclusão radica nos seguintes factos: (1) não existem espécies
com estatuto de ameaça em Portugal; (2) não existem habitats inscritos na Directiva Habitats;
(3) não existem quaisquer estruturas de vegetação raras em Portugal e (4) do ponto de vista da
vegetação, a área apresenta um coberto invulgarmente degradado, onde os locais não
ocupados por edifícios, arruamentos ou estradas apresentam-se cobertos por prados, estrutura
que, na área de estudo, representa a degradação máxima da vegetação.
Os resultados relativos à fauna são semelhantes. De facto, na sua totalidade, as espécies
inventariadas são muito abundantes em Portugal e frequentes em meio urbano. Também no
que respeita à fauna, a área de estudo não tem valor relevante.
Neste contexto, os impactes sobre as comunidades animais e vegetais são considerados pouco
significativos ou nulos.
No que se refere aos factores ambientais, verifica-se que relativamente à qualidade do ar esta
zona apresenta, de um modo geral, índices significativos de poluição atmosférica gerada pelo
elevado volume de tráfego automóvel verificado diariamente. Como fontes móveis (eixos
rodoviários) de maior significado, refere-se o lanço final do Eixo Viário Norte-Sul e a
Avenida Padre Cruz/Calçada do Carriche.
Relativamente aos impactes na qualidade do ar, durante a fase de construção, a acção do vento
e o movimento de máquinas e viaturas levantarão, nos períodos mais secos, nuvens de
poeiras, que poderão constituir um incómodo para as populações marginais à obra. Com o
início da circulação automóvel os gases de escape originarão uma degradação da qualidade do
ar na envolvente ao novo traçado, implicando um impacte negativo, permanente e irreversível,
mas geralmente de baixa magnitude para as situações mais prováveis de ocorrência, que terá
tendência a agravar-se ao longo do tempo, com o aumento dos níveis de tráfego.
Refira-se, que a entrada em funcionamento da via em análise irá surtir alguns impactes
positivos, embora de magnitude reduzida, devido ao descongestionamento de tráfego das vias
da área envolvente como é o caso da Avenida Padre Cruz.
Foi prevista a monitorização durante a fase de construção relativa à emissão de partículas,
sendo que para a fase de exploração está já prevista a monitorização no âmbito do lanço
subsequente.
Do ponto de vista do ambiente sonoro, as zonas potencialmente afectadas pela implantação
do viaduto apresentam uma elevada concentração de edifícios de habitação característica de
zonas urbanas, dado que este se desenvolve sobre a malha urbana de Lisboa.
Para além das utilizações com sensibilidade ao ruído referidas, regista-se na zona a presença
de estabelecimentos comerciais, oficinas, do Cemitério e Mercado Municipal do Lumiar, de
um equipamento desportivo na proximidade deste último, e de instalações da Junta de
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Freguesia do Lumiar. Os registos acústicos efectuados na envolvente do traçado permitem
concluir que o tráfego rodoviário que circula nas artérias rodoviárias existentes, em especial
na Av. Padre Cruz, é a principal fonte sonora responsável pelos níveis sonoros observados.
As perturbações esperadas nos níveis de ruído ambiente nas áreas próximas do corredor em
análise verificar-se-ão tanto na fase de construção como, posteriormente, na fase de
exploração. Na fase de construção, são expectáveis níveis de ruído elevados na imediata
vizinhança das áreas onde ocorrerem as operações de construção envolvendo maquinaria
pesada, martelos pneumáticos, circulação de camiões. No entanto, para além de temporários,
os consequentes impactes negativos serão muito localizados no tempo e no espaço.
Na fase de exploração, o ruído decorrente da entrada em funcionamento do traçado em estudo
estará associado à circulação do tráfego rodoviário, prevendo-se um crescimento
relativamente elevado ao longo do período considerado (2005-2025). Assim, prevêem-se
impactes negativos, de extensão média e magnitude média a elevada, logo a partir da sua
entrada em funcionamento, propondo-se para a minimização desses impactes a colocação de
barreiras acústicas em ambos os lados da via com altura compreendida entre os 4 e os 6 m.
Foi prevista a implementação de um plano de monitorização, quer para a fase de construção,
quer de exploração.
Relativamente aos elementos patrimoniais, verifica-se que não decorrerão da implementação
do projecto em estudo impactes negativos directos sobre os elementos patrimoniais
identificados. Contudo, prevê-se a ocorrência de impactes negativos indirectos sobre os
imóveis ocupados pela Junta de Freguesia do Lumiar, bem como sobre o Conjunto
Monumental do Paço do Lumiar.
Assim, os edificios pertencentes à Junta de Freguesia do Lumiar poderão ser afectados, quer
pela trepidação provocada pelos trabalhos de construção do traçado (a qual será devidamente
monitorizada), quer em consequência da descaracterização paisagística decorrente da
introdução de uma infra-estrutura pesada na sua proximidade. O Conjunto Monumental do
Paço do Lumiar apenas sofrerá uma descaracterização paisagística uma vez que apesar do
traçado em estudo interceptar a área classificada, bem como a sua Zona Especial de Protecção
em três locais distintos, este desenvolve-se numa área marginal e a uma distância razoável dos
imóveis com valor patrimonial que integram o conjunto. Assim, considera-se que os impactes
decorrentes da implantação do traçado em estudo sobre estas áreas do Conjunto do Paço do
Lumiar são reduzidos, embora se reconheça que a implantação de uma infra-estrutura como a
em análise contribua para a descaracterização da área envolvente ao Paço do Lumiar. Deste
modo a principal medida proposta diz respeito à implementação do Projecto de Integração
Paisagística, recomendando-se ainda a realização de um Plano de Monitorização de fendas
nos dois edifícios da Junta de Freguesia que se encontram a maior proximidade dos pilares.
No que diz respeito ao património arqueológico, é indispensável que se proceda ao
acompanhamento arqueológico da obra durante as fases de revolvimento de solos, decapagem
e escavação de terras, quer nos locais de implantação dos pilares do viaduto, quer no âmbito
da realização das plataformas rodoviárias dos Ramos A e B e Restabelecimento 2, quer ainda
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na zona de instalação do estaleiro e de outras infra-estruturas necessárias à obra, de modo a
colmatar qualquer falha de informação que se tenha verificado no presente estudo, em virtude
das adversas condições que os terrenos apresentam face à forte antropização do local.
No que diz respeito à paisagem verifica-se que o traçado se implanta na sua totalidade no
concelho de Lisboa com uma elevada densidade urbana. Contudo, verificou-se que os
primeiros 600 m atravessam uma área livre de edificações reservada a esta função (área
canal), e que sensivelmente entre o km 0+925 e o final (cerca do km 1+262) este eixo viário
se volta a desenvolver sobre espaços expectantes integrados na zona das Azinhagas do Vale e
da Cidade, sendo que na proximidade desta última se observam já edifícios recentemente
construídos para venda e outros ainda em construção denotando a forte pressão urbanística a
que esta área está sujeita.
A ocupação deste território desde tempos imemoriais conduziu à substituição progressiva da
vegetação original, primeiro, pelas culturas agrícolas associadas às quintas de recreio, e mais
recentemente pela urbanização crescente, observando-se hoje apenas algumas oliveiras
resistentes a pontuar os terrenos expectantes.
Verifica-se assim o atravessamento de duas grandes unidades, a primeira associada a áreas
predominantemente impermeáveis, que inclui: Áreas históricas habitacionais, nomeadamente
o núcleo histórico do Lumiar, onde é possível diferenciar zonas essencialmente residenciais e
zonas ocupadas com equipamentos colectivos, Áreas consolidadas habitacionais, que
integram os bairros de construção mais recente, bem como equipamentos escolares, Áreas em
expansão que inclui essencialmente terrenos já parcialmente urbanizados a nascente do
traçado, Área industrial do Lumiar, que engloba essencialmente armazéns e pequenas
oficinas, e finalmente, o aterro sanitário, localizado a NW do traçado.
A segunda unidade abrangendo áreas predominantemente permeáveis, inclui: as Quintas
Históricas, quintas de recreio que resistiram à pressão urbanística, e as Áreas expectantes já
referidas.
Apesar de se considerar que os terrenos expectantes atravessados nos primeiros 600 m do
traçado apresentam uma baixa qualidade visual, dado que se constitui como um espaço
sobrante no prolongamento do actual Eixo Viário Norte-Sul entre os dois ramos que articulam
esta via com a Av. Padre Cruz, o viaduto a implantar nesta zona desenvolver-se-á a grande
proximidade do Cemitério do Lumiar. A este facto acresce a grande visibilidade que o viaduto
terá a partir da Avenida Padre Cruz onde circula um número muito elevado de cidadãos
diariamente, prevendo-se deste modo um impacte visual elevado mas minimizável através da
adopção das medidas preconizadas no âmbito do EIA.
Seguidamente o viaduto transpõe tecido urbano pertencente ao núcleo histórico do Lumiar,
inicialmente ocupado com equipamentos colectivos (Mercado do Lumiar e equipamento
desportivo) a que se segue uma área quase exclusivamente residencial. Nesta zona a presença
do viaduto far-se-á sentir de forma mais intensa, dado que este além de implicar a demolição
de estruturas edificadas, ocupará com os seus pilares zonas de circulação (vias rodoviárias,
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percursos pedonais) ou de permanência (espaços públicos), a que acresce a projecção da sua
sombra e o ruído provocado pela circulação rodoviária.
Uma vez que o viaduto apresenta uma altura ao solo considerável, a presença física do mesmo
será ligeiramente atenuada. De facto, verifica-se que na situação mais desfavorável o vão livre
entre a base do viaduto e os edifícios públicos a manter é de 3,65 e de 4,27 m,
respectivamente, em relação ao edifício da Junta de Freguesia do Lumiar e ao Mercado
Municipal.
O troço final desenvolver-se-á sobre terrenos expectantes pertencentes à Azinhaga do Vale e
da Cidade, uma das zonas de maior sensibilidade visual da área em análise, apesar de como já
se disse se observarem já zonas em franca expansão urbanística, algumas das quais a integrar
no Plano de Urbanização do Alto do Lumiar. Assim, neste troço prevê-se um impacte visual
elevado devido à alteração profunda da paisagem à qual está associado um elevado valor, quer
pela sua sensibilidade visual, quer pela sua raridade.
Tendo em consideração a sensibilidade da área em presença à introdução da infra-estrutura
rodoviária em estudo, faz parte integrante deste EIA o Projecto de Integração Paisagística da
mesma, no qual foram tidas em consideração as particularidades desta zona urbana,
constituindo-se desde já como a principal medida de minimização a implementar.
No que se refere às condicionantes e ordenamento e aos aspectos socioeconómicos refere-se
que o viaduto em estudo se insere apenas no concelho de Lisboa e na freguesia do Lumiar,
desenvolvendo-se sobre o núcleo histórico do Lumiar e terrenos expectantes.
Ao nível socioeconómico, verifica-se que durante a fase de construção os principais impactes
estarão relacionados, quer com o incómodo causado pelo decorrer das obras a efectuar para a
implantação do projecto, quer com a ocupação do solo na faixa onde se irá implantar a via e
as infra-estruturas de apoio à obra (incluindo os estaleiros), as quais se repercutirão ao nível
da qualidade de vida da população (alterações de tráfego, dificuldade de circulação, ruído,
emissão de poeiras e vibrações).
Apesar do cariz urbano que caracteriza de um modo geral a faixa de implantação do viaduto
em análise, a área que apresenta uma maior sensibilidade localiza-se entre aproximadamente
os kms 0+600 e 0+925, face à proximidade da obra à zona residencial do Lumiar. Prevê-se
igualmente alguma perturbação local na envolvente ao Cemitério do Lumiar, decorrente das
acções associadas à readaptação do ramo de entrada no Eixo Viário Norte-Sul, situação que
incorre num impacte negativo, embora temporário, considerando as características deste
equipamento, enquanto local de culto.
De acordo com a análise efectuada destaca-se ao nível da ocupação do solo a afectação directa
de alguns imóveis de uso habitacional e comercial, bem como a interferência com um
equipamento desportivo e zona verde pública adjacente. Refira-se, contudo, que o Mercado do
Lumiar, bem como as instalações da Junta de Freguesia do Lumiar deverão ser preservados e
mantidas as suas funções, mesmo no decorrer da obra como já se explicou.
No que se refere à interferência com o Planeamento e Gestão do território, verifica-se que está
previsto o Espaço Canal de protecção ao Eixo Viário Norte-Sul, o qual não coincide
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totalmente com o traçado em estudo em virtude de novas condicionantes urbanísticas surgidas
no tempo que decorreu entre a ratificação do PDM de Lisboa e a actualidade. Não se prevêem
contudo interferências de relevo com o planeamento urbano em vigor.
Das condicionantes legais identificadas, nomeadamente, o que se refere a servidões
interferidas (Marcos Geodésicos, Edifícios Públicos e Escolares e Aeroporto da Portela), e
afectação de serviços (onde se inclui a interferência com uma linha de alta tensão) não se
prevêem impactes com significado. Relativamente à REN não se prevê a intercepção de áreas
classificadas por esta figura. Assim, verifica-se que a principal condicionante à implantação
do traçado decorre do atravessamento da área classificada e da Zona Especial de Protecção do
conjunto monumental do Paço do Lumiar, a qual obriga à obtenção de parecer favorável
emitido pelo IPPAR para viabilização do projecto.
Numa análise global verificou-se que o projecto contempla a minimização do Efeito de
Barreira, permitindo a articulação entre os usos urbanos em presença, nomeadamente as zonas
residenciais e de equipamentos. Está previsto o restabelecimento da única via interferida – a
Azinhaga da Cidade -, sendo que esta se deverá manter em funcionamento durante todo o
período de construção do Restabelecimento 2, prevendo-se o encerramento da primeira e
abertura ao tráfego deste último, em simultâneo, durante a noite. Deste modo, a eventual
interferência ao nível da circulação na Azinhaga da Cidade será bastante reduzida e de
carácter temporário.
No que se refere à articulação da Av. Padre Cruz com o presente Eixo Viário, verifica-se que
os ramos existentes a readaptar permitirão, a quem circule na Av. Padre Cruz no sentido
Norte-Sul (em direcção a Lisboa), entrar no Eixo Norte-Sul em direcção a sul (Ponte 25 de
Abril), e a quem circule no Eixo Norte-Sul, no sentido Sul-Norte, aceder à Av. Padre Cruz em
qualquer um dos sentidos. As restantes articulações entre o Eixo Norte/Sul e a Avenida Padre
Cruz poderão ser feitas, quer através do nó entre o Eixo Norte/Sul e a 2ª Circular (na zona de
Telheiras) a quem se dirija ou provenha da zona poente do Lumiar, ou pelo Nó da Ameixoeira
ou Nó do Lumiar, no caso da sua origem ou destino ser a zona nascente. Desta forma, desviase
o tráfego da Avenida Padre Cruz, e em particular, da zona do Lumiar, impacte que se
revela positivo, quer pelo consequente aumento da qualidade de vida das populações
presentes nesta área, quer pela redução da pressão numa área considerada de elevado valor
patrimonial.
Assim, apesar dos impactes negativos identificados, pode considerar-se que esta infraestrutura
trará benefícios para o desenvolvimento desta área pelo aumento da acessibilidade
que proporcionará às populações e actividades económicas, quer em termos locais, quer num
contexto regional, mais alargado.
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4 - CONCLUSÃO FINAL
A construção do viaduto em análise, com a consequente conclusão do Eixo Viário Norte-Sul
(note-se que este eixo já se encontra construído na sua quase totalidade, faltando apenas o
Lanço Av. Padre Cruz/Nó de Ligação à CRIL, o qual já se encontra viabilizado
ambientalmente) apresenta indiscutíveis impactes positivos, quer a nível local, quer a nível
regional.
A nível regional prevêem-se impactes indirectos, os quais irão ocorrer durante a fase de
exploração do Eixo Viário Norte-Sul no seu todo [Ponte 25 de Abril/CRIL (IC17)],
relacionados com o fecho da malha viária na Grande Lisboa. Efectivamente, a conclusão do
Eixo Viário Norte-Sul irá melhorar a articulação entre um conjunto de vias que servem a
região de Lisboa, nomeadamente, através das ligações directas que permite ao IC1 (A8), IC15
(A5), IC17 (CRIL) e à 2ª Circular.
Refere-se ainda, que o aumento de acessibilidade poderá constituir um atractivo à fixação de
pessoas e actividades que certamente poderão contribuir para o desenvolvimento local e
regional, fenómeno patente no planeamento urbanístico para a área, a qual apresenta já planos
de urbanização na área envolvente ao traçado que consideram a implantação do futuro eixo,
destacando-se o Plano de Urbanização do Alto do Lumiar, já em avançado estadio de
construção.
De facto, a conclusão do Eixo Viário Norte-Sul assegurará uma maior fluidez e segurança nas
condições de circulação, eliminando os pontos de conflito existentes e garantindo, igualmente,
uma melhoria das condições de circulação na Av. Padre Cruz.
Assim, ao nível local verificar-se-á uma redução do tráfego nas vias envolventes ao traçado
em estudo, destacando-se a Av. Padre Cruz, o que implicará maior qualidade de vida para as
populações residentes, devido sobretudo à maior segurança e à redução dos níveis de poluição
(menos significativa). O aumento de acessibilidade irá reflectir-se, não só em termos de
diminuição da distância-tempo, mas também na diminuição da distância-custo. Significa isto
que não só haverá uma diminuição da distância física entre os diferentes pontos ligados pelo
Eixo Viário Norte-Sul, como também a consequente diminuição do tempo de percurso e dos
custos associados ao mesmo. Haverá igualmente, um aumento do conforto dos utentes desta
via, face às características geométricas do seu traçado em consonância com o nível de serviço
que lhe está associado.
Refira-se, contudo, após a análise dos descritores ambientais estudados no presente EIA que
os impactes positivos enunciados serão acompanhados de alguns impactes negativos
significativos, nomeadamente, sobre a paisagem, ambiente sonoro e na ocupação actual do
solo, dada a densa ocupação urbana verificada no território atravessado.
Assim, os impactes mais significativos decorrem da afectação directa e/ou indirecta de
estruturas edificadas, isto é, da alteração da ocupação actual do solo, que se repercute
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necessariamente ao nível paisagístico, devido à alteração da imagem da paisagem urbana
presente, bem como ao nível socioeconómico.
A implantação da via implicará a demolição de estruturas edificadas pertencentes ao núcleo
urbano do Lumiar afectando, além da função residencial e comercial, um equipamento
desportivo e um espaço verde público, o que globalmente induzirá um impacte negativo ao
nível socioeconómico.
Refira-se, contudo, que quer o Mercado do Lumiar, quer os edifícios que albergam serviços
da Junta de Freguesia do Lumiar, serão preservados e mantidas as suas funções, mesmo no
decorrer da obra.
Apesar de não sofrer um impacte directo, o Cemitério do Lumiar pela sua proximidade ao
traçado, sofrerá um acréscimo na perturbação, em especial, ao nível sonoro e visual durante a
fase de construção, o que pela função inerente se considera prejudicial. No entanto, este
impacte foi já atenuado pela ripagem do Ramo A para junto do viaduto, passando este a
desenvolver-se a uma maior distância deste equipamento colectivo, a que acresce na fase de
exploração a minimização decorrente da implementação do Projecto de Integração
Paisagística.
Finalmente, refere-se a intercepção da área classificada e respectiva Zona Especial de
Protecção do conjunto monumental do Paço do Lumiar, a qual dependerá da obtenção de
parecer favorável do IPPAR quando em posse do projecto, salientando-se desde já o facto
desta interferência ocorrer numa zona marginal desta área classificada e com um relativo
afastamento dos imóveis que integram o conjunto.
Da análise efectuada, conclui-se que os impactes negativos decorrentes da implantação da via
serão compensados pelos benefícios que esta trará, particularmente se forem cumpridas todas
as recomendações patentes no presente estudo, complementadas pelos projectos de medidas
de minimização, nomeadamente o Projecto de Protecção Sonora e Projecto de Integração
Paisagística, que acompanham o presente EIA.
De forma a auxiliar a tomada de decisão procedeu-se à elaboração de uma Carta Síntese de
Impactes, sobre a fotografia aérea à escala 1:5.000 (Figura 3), onde se apresenta de uma
forma gráfica aproximada a síntese dos impactes sobre o território marginal ao traçado em
análise, para melhor visualização dos mesmos."

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Planeta leva 18 meses a recuperar o que consome em 12 meses


"A Terra leva um ano e meio a recuperar os recursos que a população mundial consome em 12 meses, situação que terá de ser discutida na Conferência Rio+20, avisou, esta terça-feira, o Fundo Mundial para a Natureza.
Esta e outras pressões a que o planeta está sujeito e algumas soluções para as ultrapassar foram hoje avançadas pelo Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund, conhecido pela sigla WWF), numa apresentação chamada "Planeta Vivo 2012".
No texto, a entidade afirma que entre 1970 e 2008, a biodiversidade no Mundo diminuiu 30 por cento, sendo que mais de metade se perdeu nos trópicos e em países subdesenvolvidos.
De acordo com o documento apresentado, a procura de recursos naturais duplicou desde 1996 e, atualmente, o Mundo demora um ano e meio para regenerar o que foi consumido em 12 meses. E se todos os habitantes consumissem como um norte-americano, seriam necessários quatro planetas para o sustentar.
"Vivemos como se tivéssemos outro planeta disponível e estamos a usar mais 50 por cento de recursos do que o planeta pode oferecer", avisou o diretor-geral do WWF Internacional, Jim Leape, em conferência de imprensa.
"Temos capacidade para fornecer água, comida e energia aos 9 a 10.000 milhões de pessoas que vão viver na Terra em 2050, mas só se todos - governos, empresas e cidadãos -- modificarem o seu comportamento", acrescentou.
Para este responsável, a mudança pode acontecer na cimeira da ONU conhecida como Rio+20 -- que se celebra duas décadas depois da Cimeira da Terra, a primeira grande reunião sobre a degradação do planeta e a forma de alterar essa tendência --, apesar de estar consciente que a tarefa será difícil.
"Este desafio é tão transcendental que não podemos deixá-lo ser gerido apenas por indivíduos, os governos têm que agir e o momento para o fazer é agora", referiu, defendendo que, apesar de ainda não ter sido atingido no ponto das negociações em que se deveria estar, "é preciso fazer todos os esforços necessários para o conseguir", até porque ainda falta um mês para a cimeira.
Para determinar o estado do planeta, foram usadas duas ferramentas: o índice Planeta Vivo -- que avalia a saúde dos ecossistemas da Terra - e a Pegada Ecológica -- que contabiliza a procura e utilização dos recursos por parte dos seres humanos e compara com a capacidade de recuperação do Mundo para produzir recursos renováveis e absorver as emissões de CO2.
Os 10 países com maior pegada ecológica são o Qatar, o Koweit, os Emirados Árabes Unidos, a Dinamarca, os Estados Unidos, a Bélgica, a Austrália, o Canadá, a Holanda e a Irlanda.
"Pode ficar-se surpreendido por ver países como a Dinamarca, conhecida por ser ecológica, numa posição tão alta, mas a pegada aprecia também as importações e o seu custo e este pode ser muito alto para o meio ambiente", explicou a co-editora da Rede Global da Pegada Ecológica, Gemma Cranston.
Os países ricos têm em média cinco vezes mais impacto do que os menos desenvolvidos, mas a maior descida de biodiversidade aconteceu nas nações pobres, que, de acordo com o relatório, "subsidiam o estilo de vida dos mais ricos".
Para poder reduzir o impacto do padrão de consumo na Terra, é necessário diminuir drasticamente o uso de combustíveis fósseis e substitui-los por energias renováveis, diminuir o consumo de água, produzir mais eficientemente, tentar comprar produtos que sejam fabricados ou criados de forma sustentável e acabar com os subsídios, sugere o WWF."

domingo, 6 de maio de 2012

Japão sem energia nuclear pela primeira vez em 40 anos


O Japão vai ficar sem energia nuclear com a suspensão do funcionamento do último reator nuclear ativo no país, o número três da central de Tomari (Hokkaido, norte), para uma avaliação de segurança. Uma decisão tomada na sequência do desastre de Fukushima.
A operadora da central de Tomari, a Hokkaido Electric Power (HEPCO), iniciou os procedimentos cerca das 17:00 locais (09:00 em Lisboa) para suspender a produção de energia no reator três.
O trabalho de manutenção deverá prolongar-se por mais de 70 dias. A partir daquela hora, o Japão ficará sem as 54 unidades atómicas que tinha em funcionamento antes do desastre em Fukushima Daiichi, a 11 de março de 2011.
Desde que o maremoto de 11 de março destruiu o noroeste do Japão, provocando o pior acidente nuclear civil desde Chernobil (1986), as autoridades têm procedido à paragem progressiva, para revisão ou por questões de segurança, de todos os reatores nucleares.
Com esta crise, o Japão, que antes do acidente dependia em cerca de 30 por cento da energia nuclear, impôs novos testes de resistência aos reatores para determinar as condições de segurança em caso de uma catástrofe natural semelhante à de março.
O principal objetivo do governo é poder reiniciar os reatores nucleares que passaram nos testes, para responder às preocupações de dificuldades no abastecimento de energia, especialmente durante o intenso verão nipónico, quando a procura aumenta.
Para poder reiniciar os reatores, o governo do primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, quer o apoio das regiões e cidades onde se encontram as centrais e que, até ao momento, se mostraram contrárias à reativação. No caso de Osaka - terceira cidade do país - as autoridades locais defendem o desmantelamento das centrais.
O futuro da energia nuclear no Japão parece incerto e Noda já afirmou que duas unidades - de momento paradas - na central de Oi (oeste) são suficientemente seguras para reiniciarem produção e ajudar a evitar quaisquer falhas energéticas nos meses mais quentes do verão.
O operador da central de Oi, Kansai Electric Power, que fornece o centro-oeste do Japão, incluindo os grandes centros de Osaka, Quioto e Kobe, alertou que o fornecimento de eletricidade pode diminuir 20 por cento com a subida de temperaturas em julho.
A Kyushu Electric Power, que cobre a área mais a oeste, e a HEPCO no norte, também afirmaram que, sem energia nuclear, não vão conseguir responder à procura de eletricidade no verão.
As empresas de eletricidade têm aumentado o recurso às centrais térmicas, através da subida das importações de crude e gás, para responder às necessidades energéticas de cidades como Tóquio, cuja zona metropolitana conta mais de 30 milhões de habitantes.
O aumento das importações afetou diretamente a balança comercial do país, que em janeiro de 2012 registou o maior défice dos últimos 33 anos.
Uma série de manifestações contra a energia nuclear está prevista no sábado, feriado do dia das crianças no país, para exigir um futuro mais seguro para as gerações mais jovens.

domingo, 22 de abril de 2012


A importância de apostar nos recursos naturais

Vários agentes do setor energético nacional estiveram presentes num encontro promovido pelo LIDE Portugal, onde se prometeu luta à dependência do estrangeiro. "Recursos naturais podem mudar Portugal" foi o ponto de partida onde se discutiram as várias formas de energia...sem atingir um consenso.
Na conferência promovida pelo subcomité Sustentabilidade, Energia e Economia do Mar do LIDE Portugal, os oradores, oriundos dos principais setores energéticos do nosso país, pareceram partilhar a opinião de que é preciso fazer algo - a curto prazo - no que diz respeito ao atual paradigma energético.
Este evento, que teve lugar na passada terça-feira, dia 10, visou realçar a importância dos recursos naturais face à falta de alternativa atuais. "Apostar nos recursos naturais de Portugal e nas energias alternativas é indispensável e absolutamente necessário" disse Tiago Pitta e Cunha , o presidente deste subcomité do LIDE português. "Portugal é atualmente extremamente dependente do exterior, situação insustentável no actual contexto económico e com a volatilidade do preço dos combustíveis fósseis", alertou ainda Pitta e Cunha. 
A participação da parte das novas formas de energia contou neste encontro contou com Pedro Sampaio Nunes, administrador da Greencyber ; José Magro, da Wind to Market e da Intermoney Energia; Carlos Pimenta, director do Centro de Estudos em Economia da Energia, dos Transportes e do Ambiente ; e António Sarmento, presidente do conselho de administração do Wave Energy Centre . A representar o "outro lado", ou seja, as tradicionais fontes de energia (petróleo e gás natural), estavam Pedro Neves Ferreira, director de planeamento energético da EDP , e Max Torres, director da Repsol para a Europa e o Norte de África, da parte das "tradicionais" fontes de energia, o petróleo e o gás natural.
Esta variedade reunida no painel de oradores não permitiu chegar a um consenso em qual o caminho a seguir no modelo energético nacional.
António Sarmento destacou as oportunidades que o investimento na economia do mar poderia gerar em termos de segurança de abastecimento de energia e criação de riqueza, apontando também metas a curto/médio prazo para as eólicas: prevê que o aproveitamento deste tipo de energia esteja estabilizado em 2016 e que esteja em desenvolvimento comercial em 2020.
O mercado das renováveis foi bastante elogiado por José Magro. O representante da Intermoney Energia enalteceu o know-how das empresas portuguesas na análise e consultoria em mercados energéticos e ambientais, e na gestão de parques de energias renováveis.
A opção nuclear e a criação de um novo modelo de distribuição 
Um dos pontos mais sensíveis no que toca à questão de fontes alternativas de produção de energia foi também abordado neste evento quando, no segundo painel de oradores, o ex-secretário de Estado da Ciência e Inovação Pedro Sampaio Nunes chamou a debate o tema da energia nuclear.
Segundo o atual administrador da Greencyber, é impossível a Portugal ser competitivo sem recorrer à energia nuclear, já que, considera, a dependência energética de Portugal face ao exterior é uma situação insustentável, insistindo no estudo da opção nuclear. Esta opção não agradou a Carlos Pimenta, também ele ex-secretário de Estado, mas do Ambiente,  que apesar de concordar na excessiva utilização maciça de recursos fósseis e consequentes prejuízos da atmosfera não vê a energia nuclear como solução de substituição, lembrando o recente desastre em Fukushima . Para Pimenta a solução passa por um novo paradigma da distribuição e de uma nova rede de distribuição de energia em edifícios sustentáveis, inteligentes e eficientes que produzissem a sua própria energia e vendessem os excedentes à rede.
A ideia partilhada por todos os representantes era mesmo a necessidade de inverter a dependência do estrangeiro. O representante da EDP nesta conferência, Pedr oneves Ferreira, destacou o forte peso do petróleo no consumo de energia no país, cerca de 50%, e igualmente do também grande peso dos transportes no consumo por sector, que chega aos 40%. Esta é uma preocupação também partilhada por Max Torres, da Repsol, que revelou planos da sua empresa: pesquisa e prospecção de gás natural na costa algarvia onde o próximo objetivo será realizar um furo a cerca de 55 quilómetros da costa, com vista a comprovar a existência de uma jazida semelhante à que a petrolífera já explora no lado espanhol da bacia há cerca de dez anos.


quarta-feira, 18 de abril de 2012


Bom uso de energia é dever de cidadania

A sua casa tem, provavelmente, uma instalação elétrica desatualizada, o que pode significar consequências na sua saúde. A sua carteira já sente os seus efeitos, assim como o ambiente.

A campanha de sensibilização "Usar bem a energia é um dever de cidadania " pretende alertar para a eficiência e segurança (ou falta delas) das ligações elétricas das nossas casas: cerca de 3,9 milhões de habitações em Portugal têm as instalações elétricas desatualizadas. Esta é uma iniciativa da Certiel - Associação Certificadora de Instalações Elétricas .
Isto deve-se ao facto de terem sido construída antes de 2006, respeitando normas vigentes instauradas em 1974 - atualmente desatualizadas -, à semelhança de outros 1,8 milhões habitações, ou então, e pior ainda, ter uma instalação elétrica construída antes do ano da Revolução - cuja legislação em vigor terá sido criada em 1939 -, à semelhança de 2,1 milhões de habitações em Portugal.
Uma instalação elétrica antiga ou desatualizada impossibilita uma poupança energética eficiente em casa independentemente de seguir dicas como as já conhecidas evitar ligar as luzes no período diurno ou desligar aparelhos elétricas em stand by. Não é que não poupe ao seguir estas indicações, porque o faz, mas a própria instalação elétrica é fonte de perdas de energia caso esteja a funcionar de forma deficiente ou em sobrecarga.
Desta forma, são produzidas toneladas de CO2 desnecessariamente que são libertadas para a atmosfera. A Certiel estima que anualmente sejam desperdiçados cerca de 136 Giga watt-hora de energia elétrica nas habitações portuguesas, o que equivale:
  • Ao consumo anual médio de energia elétrica em 41.000 habitações
  • À emissão de 47.350 toneladas de CO2 (equivalente à emissão de 26.860 automóveis)
  • À produção anual de 20.000 instalações de microprodução
  • Ao gasto anual de cerca de 15 milhões euros em energia elétrica
Uma questão de segurança 
Mas não é só por aqui que uma instalação elétrica eficiente se faz sentir.
A mesma instalação elétrica antiga ou desatualizada provoca riscos à segurança das pessoas e aos seus bens num espaço em que é suposto sentirem-se protegidas.
Existe um risco maior de ocorrência de curto-circuitos, choques elétricos ou incêndios. Aliás, em relação a estes últimos, a Certiel alerta, citando estatísticas internacionais, para que "90% dos incêndios em edifícios terem origem elétrica: nos equipamentos instalados, em curto-circuitos ou sobreaquecimento da instalação elétrica".
"Ser mais eficiente é uma questão de cidadania" aconselha a empresa responsável por esta iniciativa, cumprindo a sua quota-parte: no mês de janeiro anunciou ir oferecer unidades de microprodução, com base fotovoltaica, a 30 Instituições Particulares de Segurança Social (IPSS), o que permitirá às IPSS beneficiar do pagamento mensal do valor de energia vendida à rede.
Cidadania também na responsabilidade sovial
Em comunicado, Carlos Botelho, diretor-geral da CERTIEL, considera que "estas são instituições de solidariedade que se debatem muitas vezes com gravíssimas situações financeiras, e quisemos por isso fazer uma oferta que trouxesse benefícios não só hoje, mas ao longo do tempo".
As unidades de microprodução permitirão às IPSS serem produtores de energia elétrica. A energia produzida pelos painéis solares fotovoltaicos, que convertem a energia da luz do sol em energia elétrica, será toda vendida à rede, que pagará mensalmente o valor dessa eletricidade às IPSS. "Desta forma também estas IPSS contribuirão para a sustentabilidade e eficiência energética do País, no que toca à importação de eletricidade e à dependência externa, ao mesmo tempo que evitam a libertação de toneladas de CO2 para a atmosfera", explica Carlos Botelho.
A empresa Enforce será a responsável pela instalação das unidades de microprodução , após vencer o concurso público com uma proposta de 300 mil euros.





"Como alimentar 9 mil milhões de pessoas?



A cada ano 80 milhões de novos habitantes povoam o planeta. A população cresce, mas os recursos não. Como será em 2050?

A população mundial já ultrapassou a barreira dos 7 mil milhões, a 31 de outubro, segundo a ONU, e, para os próximos anos, o crescimento não mostra sinais de abrandamento.
As previsões das Nações Unidas apontam para que sejamos 9,3 mil milhões de pessoas, em 2050, e mais de 10 mil milhões, na viragem do século. "É um desafio e uma chamada para a ação.
A questão da população é crítica para toda a Humanidade e para o planeta Terra", afirmou Babatunde Osotimehin, diretor executivo do Fundo da População da UNFPA, no lançamento do relatório Estado da População Mundial 2011, a 26 de outubro.
A demografia mundial não é precisa: o Population Bureau, dos Estados Unidos, antecipa o habitante 7 mil milhões apenas para março de 2012. Por seu turno, a ONU reconhece a incerteza de uma ciência que não conseguiu prever o baby boom do pós II Guerra Mundial e, no relatório, salienta-se que, "com uma pequena variação da taxa de fertilidade, sobretudo nos países mais populosos, 10 600 milhões de pessoas podem estar a viver na Terra em 2050 e mais de 10 mil milhões em 2100".Números impressionantes, se tivermos em conta que, ao longo dos 50 mil anos de história da humanidade, só existiram 108 mil milhões de seres humanos.
Atualmente, a Terra leva 18 meses a regenerar os recursos consumidos em apenas um ano. Mesmo em cenários moderados, prevê-se que, a este ritmo de crescimento populacional e de consumo, em 2030 necessitemos do equivalente a duas Terras para nos sustentar.
OS DESAFIOS DA FOME
Mais de 800 milhões de pessoas vivem com fome, mas a percentagem tem vindo a decrescer consideravelmente. São produzidos cereais suficientes para alimentar entre 9 mil e 11 mil milhões de pessoas mas, ainda assim, seis países viram os seus índices de fome aumentar nos últimos 20 anos.
No seu discurso por ocasião do dia das Nações Unidas, a 24 de outubro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, referiu-se à necessidade de um propósito global para a construção de um mundo melhor. "Nestes tempos turbulentos, só há uma resposta: união de esforços." África continua ser o local mais afetado por este flagelo, mas é também onde existem mais oportunidades. Qua -se metade da área agrícola mundial por cultivar situase no continente africano (45%, correspondentes a 200 milhões de hectares). A otimização da agricultura em África seria suficiente para um aumento de 13% da produção agrícola global. As multinacionais sabem disto e têm agido em conformidade: só em 2009, foram vendidos 56 milhões de hectares naquele continente, dos quais 29 milhões na África subsariana, segundo o Banco Mundial.
'LAND GRABBING'
A compra em larga escala ou arrendamento prolongado de terrenos, nos países em desenvolvimento, designada por land grabbing, tem conhecido um crescimento exponencial, sobretudo desde as guerras do pão, iniciadas em 2007, resultantes do aumento dos preços dos alimentos.
Entre os perigos e as oportunidades, o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, alerta para a necessidade de estas transações "reconhecerem os direitos de todas as partes e salvaguardarem a segurança alimentar e o desenvolvimento rural". Ora, o investimento privado tem dominado estes negócios, sem grande supervisão.
E à falta de transparência junta-se o facto de muita da produção se destinar a biocombustíveis e à exportação.
Por outro lado, estes investimentos permitem o acesso a capitais, infraestruturas, tecnologias e empregos indisponíveis de outra forma. No entanto, o modo como os benefícios são atingidos e distribuídos leva a FAO a afirmar que "os direitos humanos estão em causa".
No relatório Apropriação da terra ou oportunidade de investimento?, este organismo das Nações Unidas salienta que "arrendamentos a longo prazo por 50 ou até 99 anos são insustentáveis a não ser que haja algum nível de satisfação local".
É em África, o único continente que não conhecerá abrandamento demográfico, ao longo de todo o século, que se joga muito do bem-estar da futura população mundial em particular a sul do Sara.
Maior planeamento e transparência são urgentes para alimentar uma população que triplicará até 2100.
QUANDO FALTAR A ÁGUA
A volatilidade do mercado alimentar levou a que fossem atingidos valores recorde, nos últimos anos. As camadas mais pobres da população são as mais afetadas por este problema que requer uma maior regulação dos mercados e mais investimento sustentável.
Juntamente com a irregularidade dos preços, a falta de água é uma realidade que estará cada vez mais presente e poderá ser uma causa de conflitos, a médio-prazo.
Durante as próximas décadas, o sistema agrícola terá de providenciar comida para uma população cada vez maior e mais saudável, aumentando a necessidade hídrica. Segundo um estudo da britânica Royal Society, em 2050 haverá uma redução global de 18% da água disponível para a agricultura.
As mudanças climáticas também hão de alterar a forma como os recursos hídricos estarão disponíveis. "Estes fatores combinados podem criar situações particularmente dramáticas no Norte de África, China, Índia, partes da Europa, oeste dos EUA e leste australiano."
AS MEGACIDADES
Pela primeira vez na História, a população urbana supera a rural. A tendência continua a crescer e 60% a 80% da população mundial viverá em cidades, em 2050. Ou seja, virtualmente, todos os novos habitantes previstos para os próximos 40 anos vão residir em centro urbanos.
Segundo os números do Euromonitor International, as 600 maiores cidades do mundo produzem metade da riqueza mundial e alojam 1 500 milhões de pessoas. A tendência é para a concentração se tornar ainda maior. Em 1950, só Nova Iorque tinha mais de 10 milhões de habitantes, hoje existem 24 cidades nessas condições. Tóquio lidera a lista mas, das nove cidades seguintes, apenas Nova Iorque e Seul se situam em países ditos desenvolvidos. Em Guangzhou, Deli, Mumbai, Cidade do México, São Paulo e Manila já vivem mais de 20 milhões de pessoas e o aumento das respetivas populações não parece abrandar.
A próxima onda de urbanização "dirigir-se-á para África e Médio Oriente, depois de se ter instalado na região da Ásia-Pacífico, nos últimos 20 anos. O rápido crescimento urbano pode conduzir à instabilidade, como demonstraram os recentes levantamentos no Norte de África e Médio Oriente.
Sanaa, capital do Iémen, é apenas um exemplo seja pela violência seja até pelo stresse hídrico, com racionamentos constantes. Taxas elevadas de desemprego juvenil podem convergir com inflações galopantes, provocando um descontentamento exponenciado pelo maior acesso à informação.
Wang Jianguo, do Banco de Desenvolvimento Asiático, não tem dúvidas: "Sem uma política de emprego, de desenvolvimento industrial, educação e saúde, não haverá melhoria." O consumismo excessivo, as crescentes desigualdades e as alterações climáticas não oferecem perspetivas agradáveis para os próximos 2 mil milhões de habitantes previstos para meados do século XXI. Ainda assim, o diretor da UNFPA mantém-se otimista: "Quando olhamos para um número grande, arriscamo-nos a ficar esmagados e a perder de vista as novas oportunidades para criar uma vida melhor para toda a gente, no futuro."


(revista Visão)