quinta-feira, 19 de abril de 2012


Emprego VS Ambiente


A poucos meses de darmos mais um passo importante na nossa vida enquanto estudantes, acho que é óptimo abrirmos os nossos horizontes numa altura, em que não é assim tão fácil encontrar o tal emprego! Quem é que nunca se preocupou com o buraco do ozono ou com a degradação do ar, ou mesmo com a intensificação da urbanização?! talvez todos nós. E já pensaram como será trabalhar numa área ligada a tudo isto!?

Sabemos desde logo que hoje o ambiente não olha apenas para a lógica da poluição, mas também com os aspectos como a qualidade de vida e preservação dos recursos e da biodiversidade.  E o que é o chamado emprego verde? à são postos de trabalho criados pelo desenvolvimento de actividades ligadas ao ambiente. Mas não podemos pensar que só o engenheiro do ambiente é que é designado como um profissional desta área. E o jardineiro, e o tractorista, são profissões que para muitos não têm qualquer valor porque não necessitam do hoje tão aclamado curso superior, mas que existem há séculos e vão sempre ser preciosos.

Em 1994 o total de emprego em Portugal na área do ambiente, isto baseado em valores da União Europeia, era de apenas 1,6%, ao invés de Espanha já com 3,6% e o que dizer da França e da Alemanha com 19,2% e 30,2%, respectivamente!?

Podemos de facto distinguir entre sectores clássicos, relacionados com a água e o tratamento de resíduos, e os sectores ligeiros como o do urbanismo e da formação e educação ambiental, que têm vindo a ganhar cada vez mais peso, mas na minha óptica peso pouco importante, para a dimensão que deveria ter.
A verdade é que os dados que nos são dados pelo INE, Instituto Nacional de Estatísticas, muitas vezes podem ser enganosos porque de certo que não incluem as actividades tradicionais para as quais não é necessária na maioria das vezes qualificação profissional. Em 1998 a CEEETA, Central de Fundos da Economia, Energia, Transportes e Ambiente, após um estudo feito pela DGEF, Direcção geral do Emprego e Formação Profissional, averiguou que os valores do emprego verde em Portugal eram entre 0,6% e 0,9% do total de emprego existente à data. Isto após em 1996 a Comissão Europeia ter dado a Portugal um valor de 0,5%. Grande contributo para este número foi sem dúvida, os cerca de 75% de empregos no seio da Administração Pública. Sendo que as áreas mais influentes nestes números eram as de Lisboa e Vale do Tejo, seguido do Porto.

Pensem só nos números de hoje, acabam por não ser tao favoráveis com os cerca de 15% de desemprego que assola o nosso país, mas a realidade é que na área do Ambiente, existe uma grande variedade de empregos. Basta pensar na multidisciplinariedade e horizontalidade da área ambiental, mas há que ter em conta que por influência e incentivos dados pelo Estado muitas áreas são escolhidas em detrimento de outras. O processo de recrutamento é também ele fundamental, sendo há uns anos atrás bastante complicado, vagas como de operador de ETAR eram difíceis de preencher, mas hoje já não.

Curiosidade é o facto de muitos dos países com grandes números de empregos verdes, serem também países produtores e exportadores de teconologia como a Alemanha e os EUA. Mas e aqueles empregos que surgem naqueles países que se dizem preocupados com o emprego e com o ambiente e acabam por contribuir para a poluição, cabe aqui dizer, mais vale não fazer, do que fazer mal!

Importa ainda ter em conta a distinção que hoje é por muitos feita, que respeita aos empregos geradores de novas oportunidades, e empregos permanentes e de qualidade, a melhor opção é juntar os dois critérios e conseguirmos o tal emprego!!! Mas muitas vezes empregos que por um lado pensamos ser meramente temporários como a limpeza de praias e combate a fogos, devemos tentar sustentá-los com o aumento da qualidade.  O grande problema no sector ambiental acarreta hoje três dimensões: custam dinheiro; riqueza mal distribuída; e não aproveitamento de estruturas e serviços não poluentes que podem gerar milhares de empregos.

Em conclusão cabe referir que devemos pensar no desenvolvimento sustentável e não apenas no crescimento económico para a criação de emprego. Os empregos devem ser vistos não só de um ponto de vista económico mas sim agregando-o a um ponto de vista social  e cultural, ligados com o mercado social, numa visão moderna e qualificadora com vista a resultados significativos.

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