domingo, 22 de abril de 2012


A importância de apostar nos recursos naturais

Vários agentes do setor energético nacional estiveram presentes num encontro promovido pelo LIDE Portugal, onde se prometeu luta à dependência do estrangeiro. "Recursos naturais podem mudar Portugal" foi o ponto de partida onde se discutiram as várias formas de energia...sem atingir um consenso.
Na conferência promovida pelo subcomité Sustentabilidade, Energia e Economia do Mar do LIDE Portugal, os oradores, oriundos dos principais setores energéticos do nosso país, pareceram partilhar a opinião de que é preciso fazer algo - a curto prazo - no que diz respeito ao atual paradigma energético.
Este evento, que teve lugar na passada terça-feira, dia 10, visou realçar a importância dos recursos naturais face à falta de alternativa atuais. "Apostar nos recursos naturais de Portugal e nas energias alternativas é indispensável e absolutamente necessário" disse Tiago Pitta e Cunha , o presidente deste subcomité do LIDE português. "Portugal é atualmente extremamente dependente do exterior, situação insustentável no actual contexto económico e com a volatilidade do preço dos combustíveis fósseis", alertou ainda Pitta e Cunha. 
A participação da parte das novas formas de energia contou neste encontro contou com Pedro Sampaio Nunes, administrador da Greencyber ; José Magro, da Wind to Market e da Intermoney Energia; Carlos Pimenta, director do Centro de Estudos em Economia da Energia, dos Transportes e do Ambiente ; e António Sarmento, presidente do conselho de administração do Wave Energy Centre . A representar o "outro lado", ou seja, as tradicionais fontes de energia (petróleo e gás natural), estavam Pedro Neves Ferreira, director de planeamento energético da EDP , e Max Torres, director da Repsol para a Europa e o Norte de África, da parte das "tradicionais" fontes de energia, o petróleo e o gás natural.
Esta variedade reunida no painel de oradores não permitiu chegar a um consenso em qual o caminho a seguir no modelo energético nacional.
António Sarmento destacou as oportunidades que o investimento na economia do mar poderia gerar em termos de segurança de abastecimento de energia e criação de riqueza, apontando também metas a curto/médio prazo para as eólicas: prevê que o aproveitamento deste tipo de energia esteja estabilizado em 2016 e que esteja em desenvolvimento comercial em 2020.
O mercado das renováveis foi bastante elogiado por José Magro. O representante da Intermoney Energia enalteceu o know-how das empresas portuguesas na análise e consultoria em mercados energéticos e ambientais, e na gestão de parques de energias renováveis.
A opção nuclear e a criação de um novo modelo de distribuição 
Um dos pontos mais sensíveis no que toca à questão de fontes alternativas de produção de energia foi também abordado neste evento quando, no segundo painel de oradores, o ex-secretário de Estado da Ciência e Inovação Pedro Sampaio Nunes chamou a debate o tema da energia nuclear.
Segundo o atual administrador da Greencyber, é impossível a Portugal ser competitivo sem recorrer à energia nuclear, já que, considera, a dependência energética de Portugal face ao exterior é uma situação insustentável, insistindo no estudo da opção nuclear. Esta opção não agradou a Carlos Pimenta, também ele ex-secretário de Estado, mas do Ambiente,  que apesar de concordar na excessiva utilização maciça de recursos fósseis e consequentes prejuízos da atmosfera não vê a energia nuclear como solução de substituição, lembrando o recente desastre em Fukushima . Para Pimenta a solução passa por um novo paradigma da distribuição e de uma nova rede de distribuição de energia em edifícios sustentáveis, inteligentes e eficientes que produzissem a sua própria energia e vendessem os excedentes à rede.
A ideia partilhada por todos os representantes era mesmo a necessidade de inverter a dependência do estrangeiro. O representante da EDP nesta conferência, Pedr oneves Ferreira, destacou o forte peso do petróleo no consumo de energia no país, cerca de 50%, e igualmente do também grande peso dos transportes no consumo por sector, que chega aos 40%. Esta é uma preocupação também partilhada por Max Torres, da Repsol, que revelou planos da sua empresa: pesquisa e prospecção de gás natural na costa algarvia onde o próximo objetivo será realizar um furo a cerca de 55 quilómetros da costa, com vista a comprovar a existência de uma jazida semelhante à que a petrolífera já explora no lado espanhol da bacia há cerca de dez anos.


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