quarta-feira, 25 de abril de 2012


Poluição do ar mata quatro mil portugueses por ano

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sofia jesus23 Fevereiro 2005http://www.dn.pt/Common/Images/img_dn/icn_comentario.gif
Todos os anos morrem quatro mil portugueses, vítimas da poluição atmosférica. O alerta vem de um estudo da Comissão Europeia, que estima em mais de 300 mil o número de europeus que morrem prematuramente por ano, devido à má qualidade do ar que respiram. Portugal ocupa a 13.ª posição no ranking dos países da UE onde a situação é mais preocupante.
Segundo o relatório apresentado esta semana, a poluição é também responsável pela redução da esperança média de vida dos residentes dos estados-membros em cerca de nove meses. Os especialistas calculam ainda que essa mesma poluição obrigue todos os anos cada trabalhador da UE a ficar meio dia em casa, por baixa médica. Gastos em saúde que custam aos países cerca de 80 biliões de euros.
Na origem de 288 mil mortes prematuras está a inalação de partículas que resultam da queima de combustíveis fósseis. Mas não só. De acordo com o estudo, também os índices de concentração do ozono ao nível do solo contribuem para o problema, tirando a vida a 21 400 pessoas, todos os anos.
O país mais afectado pela poluição atmosférica é a Alemanha, onde morrem anualmente 65 088 pessoas devido ao problema. Seguem-se a Itália, com 39 436 vítimas mortais, e a França, com 36 868.
Também o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) está preocupado com o modo como os problemas ambientais podem influenciar o aparecimento de doenças infecciosas. Na 23ª reunião do PNUA, que decorre até sexta-feira em Nairobi, a capital do Quénia, os especialistas alertam para o facto de a desflorestação, a expansão das cidades, a destruição de habitats naturais ou a poluição das águas estarem a criar condições para o desenvolvimento de novas patologias ou para o regresso de outras, já dadas como extintas.
in Jornal Expresso

A poluição atmosférica resulta da queima de combustíveis fósseis  como o carvão mi e derivados do petróleo (gasolina e diesel). A queima destes produtos lança uma grande quantidade de monóxido de carbono e dióxido de carbono para a atmosfera. Apesar disso, estes dois combustíveis gera a energia que  alimenta os sectores industrial, eléctrico e de transportes de grande parte das economias do mundo, e Portugal não é excepção. Os problemas da qualidade de ar verificam-se nas áreas urbanas e onde se localizam grandes unidades industriais, designadamente em Lisboa e Porto.

As doenças respiratórias como a asma, as alergias, a rinite alérgica e a bronquite levam milhares de pessoas aos hospitais todos os anos. Outros problemas de saúde sentidos, são a irritação na pele, a infecção nos olhos, a ardência na mucosa da garganta e processos inflamatórios no sistema circulatório.

Para reduzir a concentração dos poluentes atmosféricos, em Portugal são necessárias tanto medidas preventivas como correctivas, nomeadamente através da definição de normas de emissão, do
 licenciamento das fontes poluidoras, do incentivo à utilização de novas tecnologias  e à utilização de equipamento de redução de emissões, por exemplo de catalizadores nos automóveis e ainda, a utilização de equipamento de despoluição de efluentes gasosos nas indústrias ; por via do controlo dos locais de deposição de resíduos sólidos, impedindo os fogos espontâneos e a queima de resíduos perigosos e, por finalmente promovendo a florestação.
Deixar o carro e andar mais vezes de transportes públicos ou a pé, está ao alcance de qualquer cidadão e seria o suficiente para reduzirmos consideravelmente a emissão para a atmosfera de gases de efeito estufa. Só para ter uma ideia a redução em 5% da utilização diária do carro apenas em Lisboa e no Porto equivaleria a 350 mil toneladas de CO2 a menos lançadas para a atmosfera.
Um dos instrumentos actualmente disponíveis para sabermos o nível de poluição é o Índice da Qualidade do Ar.
As crianças são mais vulneráveis ao desenvolvimento de doenças associadas à poluição do ar pelo facto de o seu organismo estar ainda em fase de desenvolvimento e, por esse motivo, menos capaz de reagir a perturbações causadas por poluentes.
Os dados da Agência Europeia do Ambiente, no relatório sobre o Estado do Ambiente na Europa  (2003), não deixa dúvidas quanto ao papel da poluição na saúde pública, a maior partem dos internamentos nos hospitais europeus deve-se a doenças respiratórias desenvolvidas por acção da poluição. No mundo, o número de mortes prematuras por causa da poluição do ar ronda os três milhões. Na Europa, por ano, em cada milhão de crianças há 138 que desenvolvem doenças cancerígenas associadas às radiações ultravioletas e aos produtos químicos utilizados nas indústrias e na agricultura. Em muitas populações europeias, o desenvolvimento de distúrbios físicos e mentais provocados pela exposição ao chumbo, ao mercúrio e aos derivados de compostos químicos tóxicos, afectam 10% das crianças.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a poluição atmosférica mata anualmente três milhões de pessoas no mundo e, na Europa, uma em cada três mortes de crianças deve-se à má qualidade do ar, o que perfaz o número de cem mil mortes anuais, representando 34% da mortalidade infantil.

                                                                                                    
Actualmente, os transportes são, segundo a Agência Europeia do Ambiente, os que mais contribuem para a colocação de uma cidade como Lisboa na lista das piores capitais europeias em qualidade do ar.
Apesar de a indústria estar cada vez mais dotada de tecnologias capazes de conceber veículos que funcionam com combustíveis menos poluentes, os construtores continuam a faltar à promessa de produzir automóveis que consigam reduzir consideravelmente as taxas de emissões de substâncias prejudiciais à saúde e que agravam o efeito estufa.
O ranking das cidades nacionais mais poluídas, feito pelo semanário Expresso com a colaboração da Agência Portuguesa do Ambiente, tendo por base medições da qualidade do ar durante 2005, revelou que, nesse ano, a capital registou mais dias com excesso de concentração de partículas (183 dias).
Estimativas da Organização das Nações Unidas apontam para o agravamento da situação em 2015, altura em que 69,2 da população viverá nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Mais: os poluentes são considerados responsáveis pela redução de nove meses na esperança média de vida dos europeus.
 A poluição do ar, devido às características da circulação atmosférica e à permanência dos poluentes na atmosfera por largos períodos de tempo, apresenta um carácter transfronteiriço, o que obriga à conjugação de esforços a nível internacional para de imediato e de forma eficaz a combater sob penas de mais pessoas serem vítimas deste tipo de poluição.

Marta Franco nº 18300



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