segunda-feira, 23 de abril de 2012

O ar condicionado do Planeta


A extensão total aproximada da Floresta Amazónica é de 5,5 milhões de km², sobrepondo-se à área da bacia hidrográfica amazónica com 7 milhões de km². A floresta amazónica distribui-se mais ou menos da seguinte forma: 60% no Brasil, e o restante pela Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. A Amazónia possui grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta. Nela estão fixadas mais de uma centena de triliões de toneladas de carbono. A sua massa vegetal liberta cerca de sete triliões de toneladas de água anualmente para a atmosfera e os seus rios descarregam cerca de 20% de toda a água doce que é despejada nos oceanos pelos rios existentes na Terra.



As florestas tropicais diferem dos outros tipos de floresta pela sua fisionomia: são altas, densas e extremamente húmidas, além de terem uma diversidade de espécies de animais e de plantas. Cerca de 20% da diversidade planetária está contida na floresta Amazónica, que é uma floresta tropical típica. Outra característica é a alta concentração de carbono. O número de árvores por hectare é muito alto, com uma densidade de madeira elevada, o que tem implicação importante para a mudança do clima. As florestas tropicais são, assim, nos tempos actuais em que o Planeta sofre de aquecimento, um dos grandes “ar condicionados” do Planeta. Porquê? As florestas tropicais regulam o nível de carbono, agindo de duas formas. Primeiro, retiram o carbono da atmosfera, através da fotossíntese. Em segundo, mantêm o gás carbónico nos troncos, nas folhas e nas raízes. Assim, agem como um armazém de carbono e não deixam que esse carbono fique diluído na atmosfera, exercendo um aumento na temperatura. Durante muito tempo, atribuiu-se à Amazónia o papel de “pulmão do mundo”. Hoje, sabe-se que a quantidade de oxigénio que a floresta produz durante o dia, pelo processo da fotossíntese, é consumida à noite. Daí, esta nova categoria de “ar condicionado do mundo”.



Um dos principais problemas que atinge esta floresta como tantas outras é a desflorestação. Apenas na Amazónia, nos últimos 30 anos, já foram devastados mais de 50 milhões de hectares. A desflorestação florestal aumenta os efeitos do aquecimento global. Assim, a preservação das florestas é importante porque elas funcionam como um “amortecedor” das mudanças climáticas. Se destruirmos as florestas com a velocidade a que temos  vindo a destruir nos últimos 20 anos, provavelmente este amortecedor acabará e teremos grandes secas e riscos de desertificação em áreas da Amazónia.

Além da desflorestação, existem ainda outros factores que contribuem para os problemas ambientais nas florestas tropicais. Há causas directas, que são aquelas que afectam a vegetação, como a exploração da madeira, que acontece em praticamente todas as florestas tropicais. Essa exploração é feita de forma não controlada e, portanto, causa estragos na floresta, tornando-a vulnerável a incêndios florestais. A remoção das florestas ocorre para o desenvolvimento de actividades como a pecuária, por exemplo. Além disso, os investimentos em infra estruturas dão acesso a áreas que antes eram protegidas passivamente pela falta de estradas e de acesso humano a essas regiões.
Há ainda as causas indirectas, como as políticas de fomento ao crédito agrícola ou pecuário e as políticas que envolvem investimentos em grandes empreendimentos de infra estruturas. Além do mais, a crescente procura de produtos como cereais, minério ou carne, aumenta a pressão sobre áreas florestais, já que estas são convertidas em áreas de produção.
Do exposto, percebe-se a importância de preservar as florestas para a sustentabilidade do Planeta. Porque a floresta é, principalmente na questão das mudanças climáticas, fundamental para manter a habitabilidade deste nosso Planeta. Se nós não conseguirmos reduzir a desflorestação tropical e conservar as grandes florestas, certamente o mundo ou o clima entrará num processo de instabilidade perigoso, onde os eventos extremos se tornarão cada vez mais frequentes, como cheias e secas, provocando prejuízos económicos mas, mais preocupante ainda, prejuízos para a vida humana. Conservar a floresta, hoje, é conservar a habitabilidade futura do Planeta.
                                                                               



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